Viúva do rei Hussein encontra forças na luta por boas causas
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Edith M. Lederer 
Nações Unidas (AE-AP) - Enquanto a rainha Noor da Jordânia encara a vida sem seu amado marido, rei Hussein, encontra forças para trabalhar em campanhas mundiais contra minas terrestres, armas leves e pobreza. A rainha, nascida nos EUA, apressou-se em demonstrar que estava envolvida com estas causas muito antes do seu marido morrer de câncer em fevereiro. "E é por essa razão que manter meu compromisso, especialmente durante este período tão difícil e também no futuro, significa, para mim, uma espécie de responsabilidade em relação a ele e aos nossos esforços comuns", disse ela numa recente entrevista.
Durante uma viagem aos EUA no mês passado, Norr discursou numa reunião da ONU para organizações rurais, encorajando os presentes a unir suas forças com negócios e o governo para trazer os benefícios da comunicação e educação global para as pessoas de todos os lugares, especialmente nos países em desenvolvimento.
Ela também levou sua campanha contra as minas terrestre para Washington, encontrando-se com legisladores que estão estimulando o presidente Bill Clinton a assinar um tratado global de proibição dessas minas e defendendo a proibição num almoço do Departamento de Estado. A princesa Diana ajudou dirigir as atenções internacionais para a campanha das minas terrestres. Mas Noor, 48 anos, evita qualquer comparação, dizendo apenas que espera que seus esforços façam diferença.
A rainha lembrou como seu interesse por armas leves espalhou-se no início de 1999, quando ela trabalhou numa comissão com a ex-primeira dama Rosalyn Carter que concentrava-se na quantia gasta em armas e a necessidade de realocar o dinheiro para programas de desenvolvimento. "A proliferação de armas leves, como a das drogas, é um flagelo que
impede comunidades e nações inteiras de se desenvolverem e de serem capazes de colocar recursos onde eles são mais necessários", disse Noor. Ela afirmou que continuará a ser uma defensora desse tipo de causa e a observar onde poderia ser mais útil. "Mas o desarmamento em geral é um assunto que, para mim, que venho ao Oriente Médio e sou uma entusiasta das campanhas contra a guerra desde a juventude, será sempre parte da minha vida".
Nascida Lisa Halaby numa família árabe-cristã e educada em Washington, ela formou-se na Universidade de Princeton e foi para a Jordânia para trabalhar no projeto de um aeroporto. Ela conheceu o rei em Amã, converteu-se à religião islâmica e tornou-se sua quarta esposa e rainha em 1978. Ele lhe deu o nome de Noor al-Hussein, ou a luz de Hussein. Eles tiveram quatro filhos. Durante mais de 20 anos na Jordânia, que ela agora considera sua casa, Noor tem estado envolvida com artes e trabalhado em projetos para acabar com a pobreza, o que inclui ajudas ás mulheres beduínas a produzir e a vender tapetes e roupas. Ela diz que tem visto "muito claramente o impacto que o número excessivo de armamentos tem nas economias do Oriente Médio e em outras partes do mundo".
O último objetivo do seu marido, e o dela, era ver a paz geral no Oriente Médio. Em outubro do ano passado, o rei deixou seu leito no hospital para ajudar a mediar o acordo de paz do rio Wye, estabelecido entre israelenses e palestinos, recebendo elogios de todos os lados por suas habilidade diplomática.
Noor disse que ficou muito comovida ao assistir, pela televisão, a cerimônia de assinatura de revisão do acordo em setembro. O novo acordo estabeleceu setembro do ano que vem como o prazo final para um completo entendimento entre Israel e Palestina. "Eu senti a presença do meu marido tão fortemente, como uma prorrogação do papel que ele exerceu no rio Wye no início", diz ela. "Muitos de nós, acredito, sentiram sua falta. Foi provavelmente o acontecimento mais doloroso para mim desde a sua morte, o evento político mais comovente, um momento agridoce", afirmou. "Eu disse agridoce porque senti o prazer que ele teria sentido por este novo passo neste árduo caminho".


