Cascavel - Lúcia Mainko, a viúva do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, disse ontem em Cascavel que ainda aguarda a punição dos responsáveis pelo assassinato de seu marido, ocorrido em março de 1993, durante o governo Roberto Requião (PMDB). Ela receberá do Estado a quantia de R$ 150 mil, e mais 4,5 salários mínimos e meio pelo período retroativo da data do crime até hoje, com direito a juros, a título de indenizações por danos morais. A sentença, que cabe recurso do governo, foi proferida pelo juiz Salvadori Antônio Astuti, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba.
Morto aos 47 anos no dia 8 de março daquele ano, Teixeirinha morava no acampamento sem-terra da Fazenda Santana, em Campo Bonito, quando foi fuzilado com cinco tiros por grupos de elite da Polícia Militar. Na ocasião, todo o acampamento estava sitiado pela PM, que fazia buscas há pelo menos três dias a Teixeirinha.
Informações extra-oficiais, fornecidas por testemunhas, dão conta de que policiais deram tiros no barraco, torturaram o filho de Teixeirinha, Marcos Antônio da Silva, para forçar Teixeirinha a se entregar. Em depoimento prestado após o assassinato, PMs alegaram ter cumprido o dever sem excessos.
Lúcia Mainko e seu filho disseram que o dinheiro não é suficiente para reparar os danos psicológicos causados com o crime. ‘‘Se esse dinheiro vier mesmo, vou comprar mais um pedaço de terra com o dinheiro’’, disse ela, que ainda mora no assentamento e continua integrada ao MST.
Para a família, apesar da sentença judicial que condenou o Estado, o crime ainda não está bem esclarecido. ‘‘Falta punir os responsáveis’’, disse a viúva. Segundo ela, a família de Teixeirinha continua engajada na luta por uma melhor distribuição de terras e pela celeridade no processo de reforma agrária.

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