Curitiba- A primeira audiência da ação indenizatória proposta pela viúva do sem-terra Antônio Tavares Pereira, Maria Sebastiana Barbosa Pereira, contra o governo do Estado aconteceu, ontem, na 1 Vara da Fazenda Pública de Curitiba. O sem-terra foi morto em um confronto com a Polícia Militar (PM) no dia 1º de maio de 2000, durante o governo Jaime Lerner (PSB). Apenas uma testemunha, arrolada pela defesa da viúva, foi ouvida ontem. A audiência foi presidida pelo juiz Horácio Teixeira.
O advogado que representa Maria Sebastiana, Eduardo Harder, da organização não governamental (ONG) Terra de Direitos, dispensou o depoimento do coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio, previsto para ontem. Segundo ele, a audiência foi suspensa e outras três testemunhas do Interior serão ouvidas por carta precatória no Juízo de Cantagalo (80 km a oeste de Guarapuava) e São Miguel do Iguaçu (45 km de Foz do Iguaçu).
Harder explicou que a ação pede indenização à viúva por danos materiais, fixada em quatro salários mínimos por mês para compensar a perda do marido, que garantia o sustento da família. Também requer indenização por danos morais, cujo valor é fixado pelo juiz, caso a sentença seja favorável à viúva.
Maria Sebastiana mora no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte (113 km de Paranavaí). Ela conta que está passando por dificuldades financeira, já que ganha apenas um salário mínimo para sustentar quatro filhos.
Três policiais militares que acompanhavam o comboio de sem-terra, que acabou em protesto com o fechamento da BR-277 entre Campo Largo e Curitiba, também compareceram, ontem, para depor em favor do Estado, mas foram ouvidos. Os três, que preferiram não ter os nomes divulgados, relatam que foram encurralados pelos sem-terra e que chegaram a efetuar alguns disparos para o alto na tentativa de conter o tumulto, mas que o projétil que atingiu o sem-terra não saiu da arma de nenhum deles.
Os policiais disseram ainda que Antônio Tavares teria sido baleado em outra situação, antes do horário em que o tumulto na BR-277 aconteceu. Segundo eles, o horário de entrada no hospital em que o sem-terra foi socorrido seria o mesmo em que o confronto aconteceu.

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