Curitiba, 28 (AE) - A viúva do sem-terra João Cavalheiro Vasselik, conhecido como Bugrão, Eroni Mishileski Ribeiro, acusou hoje a liderança do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) do norte do Paraná de ter matado seu marido e de expulsá-la da área onde estava acampada, na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul. Segundo Eroni, Bugrão morreu por saber quem matou o segurança José Lopes de Oliveira, o Django, em abril de 1997, na Fazenda Borborema, em Tamarana.
De acordo com a viúva, no dia 9 de maio houve uma reunião dos coordenadores do MST em uma escola da Fazenda Ingá, invadida em 91, ano em que eles aderiram ao movimento. "Nessa reunião eles decidiram que iriam nos tirar do lote e colocar na beira da estrada , sem casa e que iríamos perder a estrutura", denunciou. Bugrão resistia em participar de novas invasões e de contribuir para a cooperativa dos sem-terra.
Em conversa com coordenadores do movimento, no dia 10, Bugrão disse que procuraria um advogado e ameaçou contar quem havia dado o tiro que matou Django. No dia 17 de maio Bugrão foi morto quando voltava da cidade. "Foi uma emboscada", disse a viúva. Segundo ela, o MST ficou com seus pertences e com R$ 2,5 mil. A viúva disse hoje Django foi morto pelo coordenador do MST Renato Reinher, um dos suspeitos de terem matado seu marido.
Hoje ela foi levada à polícia para prestar depoimento sobre a morte de Django. O nome de Reinher não consta entre os denunciados pela morte do segurança. Em Curitiba, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Darci Frigo, disse que Reinher não é visto na fita de vídeo que mostra as discussões e brigas antes da morte do segurança da Fazenda Borborema. "Querem vincular fatos anteriores à liderança atual", disse Frigo.
O advogado da CPT afirmou que a morte de Bugrão deve estar ligada a "rixas internas" do acampamento. "Mas se houver uma denúncia concreta contra lideranças do movimento é preciso que seja apurada", disse. Ele afirmou ter conversado com o advogado que acompanha o MST em Londrina, Gerson da Silva, que hoje estava no fórum. Eles decidiram que, caso não haja nada de concreto contra as lideranças, devem ser acionadas a viúva de Bugrão e a Sociedade Rural de Paraná, em Londrina, onde a entrevista foi concedida.

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