RIO - A estilista Alessandra Wagner, viúva de Tim Lopes, espera por justiça. Para ela, a prisão do principal acusado do crime, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e de seus comparsas não encerrou o caso. Em sua primeira entrevista após a morte do marido, concedida no dia 16, Alessandra questiona a conduta da ''Globo'' e da polícia, que não ouviu uma peça-chave no inquérito: a pessoa que denunciou a existência de um baile funk na Favela Vila Cruzeiro, no qual ocorreria exploração sexual de menores e tráfico.
Por causa dessa história, Tim subiu o morro. Ela acredita na possibilidade de o jornalista ter sido vítima de uma armadilha. ''Será que esse baile existiu?'' Alessandra considera a hipótese de os criminosos terem atraído a ''Globo'' para a favela em represália à reportagem ''Feirão das Drogas'', que deu a Tim um Prêmio Esso em 2001.
O repórter foi torturado, esquartejado, queimado e enterrado numa cova rasa, após passar por um ''júri'' comandado por Maluco. Um dos algozes, Renato de Souza Paula, o Ratinho, havia sido preso graças à reportagem. Os traficantes envolvidos foram presos ou mortos.
A viúva disse que a ''Globo'' está protegendo o autor da denúncia, que teria sido retirado da favela. E quer saber onde estão o celular e o bloco dele. ''Quem é a 'Globo' para dizer que essa pessoa não tem o que falar?''
O inspetor Daniel Gomes confirma que a ''Globo'' sempre omitiu o nome da fonte e acusa a emissora de mentir sobre o que levou Tim Lopes à favela. ''Ele não foi filmar baile, pois pediu para o carro pegá-lo às 22 horas. O baile só começava uma hora depois.'' Gomes diz que sofreu perseguição ele acabou sendo afastado da delegacia da Penha e agora processa a ''Globo''. O delegado Zaqueu Teixeira, que na época chefiava a Polícia Civil, acredita que, se tivesse sido avisada, a polícia poderia ter evitado o crime.
Em nota do diretor da Central Globo de Jornalismo, Carlos Henrique Schroder, a emissora informou que ''agiu com transparência ao revelar as circunstâncias em que o trabalho de Tim se deu, com firmeza ao cobrar punição exemplar dos culpados, e com ética, ao dar integral apoio à família'' do repórter. A emissora confirmou que o baile existia e garantiu ter entregue à polícia os pertences de Lopes. ''A 'Globo' agiu sempre com lisura e boa fé.'' (R.P./AE)

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