Vitória reformista não afastaria conservadores do poder Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 17 (AE) - Eleições legislativas, amanhã (18), no Irã. 39 milhões de eleitores, 5.193 candidatos para serem eleitos 290 deputados, entre os quais 30 para Teerã. Será o sexto Parlamento desde a revolução islâmica de Khomeini, em 1979.
Houve um pleito anterior em 1997, mas não foi uma eleição para o Parlamento e sim para presidente da República. Ora, para surpresa geral, os iranianos elegeram um presidente reformista, Mohammad Khatami, partidário da mudança.
Perguntou-se, então, se a grande inspiração delirante da revolução islâmica não estava no momento de se esgotar. E esse será o verdadeiro sentido das eleições desta sexta-feira: entre os dois grupos, reformistas e conservadores, qual vai vencer? É possível esperar uma "primavera" de Teerã? Será possível, sábado à noite, sonhar com uma democracia islâmica?
Os rótulos anunciam os programas: os conservadores temem uma total abertura, uma completa liberdade política e cultural, por dois motivos: um desprezível (a perda de seus lugares "de membros influentes do partido" mimados pelo regime) e o outro ideológico: medo da "contaminação" ocidental e de suas pestes. Seu dirigente é Ali Khamenei, 61 anos, a maior autoridade do país. Presidente do Parlamento, comandante-em-chefe das Forças Armadas etc.
Os reformistas, o grupo de Khatami, ao contrário, querem liberdades individuais e coletivas e criticam o estado de coisas presente. Seus aliados são os jovens, os "sunitas" curdos, baloutches, árabes ou tadjiques, os intelectuais, a esquerda não islâmica, os liberais, os monarquistas, os amigos e parentes de dezenas de milhares de vítimas da "revolução islâmica" (xiita).
Aparentemente, o combate é claro, frontal. Na realidade, é mais vago.
Mesmo se os reformistas avaliam ter chances de ganhar em razão dos jovens, do esgotamento de toda a população atormentada pela miséria e pelas perseguições islâmicas, os conservadores continuam persistentes.
Eles detêm todas as alavancas do país. Dispõem das terríveis "milícias". E, sobretudo, quaisquer que sejam os resultados das eleições do Parlamento, as "leis" devem ser sempre controladas, filtradas, aceitas ou emendadas pelo "Conselho dos Guardiões" que é formado por ultraconservadores.
No entanto, a irritação do povo contra o regime é tamanha que se espera um bom resultado dos reformistas. Mas uma outra pergunta ainda perturba o jogo: se o presidente Khatami é, aos olhos dos estrangeiros, o próprio símbolo da abertura, os jovens e as forças progressistas no Irã colocaram em questão esse mesmo Khatami. Eles constatam que, três anos depois de ter sido eleito para a presidência, Khatami não conseguiu grandes resultados.
Certamente, duvidam até da sinceridade dos reformistas, eles se perguntam se Khatami não é uma espécie de "Gorvatchev oriental", que prefere fazer concessões para salvar "a revolução islâmica". Da mesma maneira Gorvatchev multiplicou as reformas, concedeu liberdades, com a única intenção de salvar a ordem soviética e comunista.
A propósito de Khatami e de seus amigos reformistas, ouve-se em Teerã frases desiludidas: "Um religioso permanece sempre um religioso" ou ainda "Não se esqueça de que os dirigentes dos reformistas são antigos apóstolos da terrível revolução islâmica".
A verdade é que, mesmo se muitos duvidam da pureza ou da determinação de Khatami, todos os homens progressistas vão votar para seus candidatos reformistas, mesmo se, em caso de vitória, for iniciado então um "terceiro intervalo" igualmente cruel.





