Los Angeles, 22 (AE-REUTERS) - O filme "Shakespeare Apaixonado" gerou uma grande decepção na 71ª edição do Oscar, ganhando o Prêmio da Academia para o Melhor Filme e derrotando o favorito "O Resgate do Soldado Ryan", numa histórica noite do Oscar.
O italiano Roberto Benigni foi nomeado o melhor ator do ano por seu papel em "A Vida é Bela", uma comédia dramática sobre o Holocausto que ele escreveu, dirigiu e estrelou. O filme
um sucesso internacional, também recebeu o prêmio de melhor filme estrangeiro. Foi a primeira vez que um filme de língua estrangeira levou o prêmio de melhor ator. Em 1961, Sophia Loren ganhou o prêmio de melhor atriz por sua performance em "Duas Mulheres".
Gwyneth Paltrow, heroína romântica de "Shakespeare Apaixonado", ganhou o prêmio de melhor atriz, se tornando uma grande estrela de Hollywood aos 25 anos. Steven Spielberg foi escolhido como melhor diretor pelo filme "O Resgate do Soldado Ryan", mas seu filme não venceu a guerra dos Oscars por não ter sido escolhido como melhor filme. É raro um filme não vencer em ambas as categorias (melhor filme e diretor). "Ryan" era o favorito para melhor filme do ano, com suas chances tendo crescido no começo deste mês quando o longa foi classificado como o melhor filme pelo Producers Guide of America. Mas a Miramax, que fez "Shakespeare Apaixonado", aumentou suas chances e gerou controvérsia ao gastar estimados US$ 2 milhões em propagandas voltadas para os membros da Academia. Os produtores de "Ryan" também gastaram muito, mas ficou claro que "Shakespeare" estava em seu momento.
Benigni pulou de alegria enquanto Paltrow se esvaiu em lágrimas ao receberem os prêmios, ambos fazendo os discursos de agradecimento mais dramáticos da noite. Quando Benigni subiu ao palco para receber seu segundo prêmio, reclamou: "Isso é um terrível erro porque eu já usei todo o meu inglês...Grazie all´Italia. Grazzie all´America". Sophia Loren, uma velha amiga de Benigni, lhe deu o prêmio pelo melhor filme de língua estrangeira, chamando "Roberto" pelo Dorothy Chandler Pavilion". "A Vida é Bela", que mostra um pai judeu tentando proteger seu filho dos horrores de um campo de concentração nazista, ganhou muitos prêmios internacionais e também provocou controvérsia, uma vez que o tema do filme é sobre o espírito humano poder triunfar em um lugar como Auschwitz. Outro filme sobre o Holocausto, "Os Últimos Dias", foi escolhido como melhor documentário. Ele fala de cinco pessoas que sobreviveram ao Holocausto na Hungria.
Dois atores veteranos, James Coburn e a britânica Dame Judi Dench, ganharam seus primeiros Oscars por seus papeis de coadjuvantes em dois filmes aclamados pela crítica. Coburn, de 70 anos, ganhou o prêmio por seu papel como o pai abusivo e imperdoável de "Temporada de Caça". Dench, de 64 anos, uma das maiores atrizes britânicas, venceu por sua performance como a rainha Elizabeth em "Shakespeare Apaixonado", uma participação tão curta que muitos críticos afirmam que basta piscar para perder sua atuação. A própria Dench chamou a atenção para sua curta aparição: "Apareci por oito minutos na tela, deveria ganhar apenas um pequeno pedaço dele (do Oscar). Meu coração vai para as outras quatro que não venceram", ela disse. Coburn, que até hoje não havia sido indicado para um Oscar, pareceu chocado e declarou: "Tenho feito este trabalho por quase metade da minha vida e finalmente acertei em um. Alguns você faz por dinheiro. Outros você faz por amor. Este é uma criança amada".
"Shakespeare Apaixonado" ganhou sete Oscars: melhor filme, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, melhor trilha de comédia ou musical, melhor figurino, melhor roteiro original e melhor direção de arte. "O Resgate do Soldado Ryan" levou cinco Oscars: melhor diretor, melhor fotografia, melhor montagem
melhores efeitos sonoros e melhor som. "A Vida é Bela" ficou em terceiro com três prêmios: melhor ator, melhor filme estrangeiro e melhor trilha de drama.
Atores proeminentes de Hollywood como Nick Nolte e Ed Harris se recusaram a aplaudir quando o diretor veterano Elia Kazan recebeu o Oscar pelo conjunto de sua obra. Mas a maioria da audiência se levantou e saudou o diretor de clássicos como "Um Bonde Chamado Desejo" e "Sindicato de Ladrões", apesar dele ter denunciado colegas como sendo comunistas para o Comitê de Atividades Não-Americanas durante os anos da lista negra em Hollywood. Kazan não mencionou a controvérsia em seu breve discurso de agradecimento.
A 71ª cerimônia de entrega dos Prêmios da Academia abriu em grande estilo com sua anfitriã, a comediante Whoopi Goldberg, vestida com a roupa completa da rainha Elizabeth I, em um tributo aos dois filmes envolvendo a monarca inglesa que concorriam a prêmios: "Elizabeth" e "Shakespeare Apaixonado". Com uma maquiagem branca na cara e usando um sotaque britânico, a comediante negra disse: "Boa noite leais súditos. Sou a rainha africana. Alguns de vocês podem me conhecer como a Rainha Virgem, mas não posso imaginar quem". Apimentando seus comentários, ela então lançou uma série de piadas que parecem ter resumido todas as controvérsias do ano, desde o escândalo sexual na Casa Branca até o prêmio para Kazan. "Achei que na lista negra estavam eu e Hattie McDaniel", disse Goldberg se referindo à primeira atriz negra a ganhar um Oscar.

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