Vitória de Chen põe fim à hegemonia política do Kuomitang18/Mar, 14:01 Taipé, 18 (AE-AP) Ignorando as ameaças de intervenção militar da China e pondo fim a meio século de hegemonia do Partido Nacionalista (Kuomitang), os eleitores taiwaneses elegeram presidente neste sábado (18) Chen Shui-bian, candidato do independentista Partido Democrata Progressista. "O povo pronunciou-se e realizamos nosso sonho", exultou Chen em meio a nova advertência de Pequim (cujo Exército encontra-se em alerta máximo) de que o resultado das urnas "não muda o status de território chinês da ilha" e "a independência de Taiwan jamais será tolerada". A vitória de Chen - que adotou tom conciliatório em seu discurso de vencedor, mas rechaçou a fórmula chinesa de "um país, dois sistemas" - representou também um duro golpe para os nacionalistas chineses. Eles governavam o território desde 1949 quando o general Chiang Kai-shek, derrotado pelo líder comunista Mao Tse-tung, refugiou-se ali com suas tropas. "Perdemos porque não trabalhamos bem", lamentou o vice-presidente Lien Chan, que não conseguiu sensibilizar o eleitorado taiwanês - cansado do clima de corrupção que envolveu os últimos anos da chamada "era nacionalista" - e amargou um terceiro lugar na disputa. Chen obteve 39% dos votos em comparação aos 37% de James Soong, dissidente nacionalista que concorreu como candidato independente, e os 23%, de Lien. Quando os painéis eletrônicos confirmaram na capital taiwanesa a vitória de Chen, seus partidários festejaram o resultado de forma frenética. Reuniram-se no centro da cidade, com fogos de artífício, gritando vivas, cantando e disparando as buzinas de seus veículos. "É o começo do fim da corrupção", comentou o torneiro-mecânico Zhu Tong-sui. "Já não aguentávamos mais aquele clima." Elegendo Chen, os taiwaneses, segundo analistas ocidentais, deram mais um grande salto em direção à democracia. Forçaram uma transição pacífica do poder do nacionalismo para a oposição independentista. A ilha realizou suas primeiras eleições presidenciais diretas em 1996. Ex-prefeito de Taipé, Chen não tem experiência na arena internacional, na qual terá de negociar sempre sob pressão da China. Os líderes chineses desconfiam de Chen, embora ele tenha adotado um discurso muitas vezes distante do programa de seu partido que propõe a independência total do território. Em pronunciamento de 10 minutos logo após conhecer os resultados da eleição, Chen disse: "Os valentes taiwaneses, com amor e esperança, superaram o terror e, com seu voto, demonstraram desejo resoluto de manter a democracia." O novo presidente reiterou sua oposição categórica à formula chinesa "um país, dois sistemas", adotada nos casos da anexação de Hong Kong e Macau. Cheng quer autonomia integral para Taiwan - tanto interna quanto externa. Mas propôs uma política de cooperação e diálogo ao colega chinês, Jiang Zemin. Disse que gostaria de receber o primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, em Taipé e reiterou intenção de visitar oficialmente a China. No campo interno, convidou o Prêmio Nobel de Química Lee Yuan-tseh para chefiar o governo.