Moscou, 20 (AE-AP) - O bloco governista Unidade foi a grande surpresa do pleito parlamentar de domingo na Rússia, no qual conduziu os grupos de centro-direita a seu melhor desempenho em eleições na era pós-soviética.
O Unidade ficou em segundo lugar, com 23,37%, praticamente empatando com o Partido Comunista (PC, 24,22%), que pela primeira vez em dez anos foi desalojado do controle da Câmara Baixa do Parlamento (Duma) - embora continue formando a maior bancada.
A avaliação é que a centro-direita fará mais de 50% das 450 cadeiras na Duma. Metade delas é preenchida por listas de partidos e o restante pelos candidatos mais votados em 225 distritos eleitorais. Dos 26 partidos e coalizões na disputa, apenas 6 obtiveram mais de 5% dos votos, o mínimo necessário para ser representado na Duma.
Quatro deles são de centro-direita: Unidade, Yabloco, União das Forças de Direita e Bloco Jirinovski. Resta ao PC um único aliado: a coalizão Mãe Pátria-Toda a Rússia, liderada pelo ex-primeiro- ministro Yevgeny Primakov e o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov - reeleito hoje.
O resultado consolida a candidatura do primeiro-ministro Vladimir Putin à presidência na eleição de junho de 2000 e abre caminho para um período menos turbulento nas relações entre o presidente Boris Yeltsin e a Duma. "Houve virtualmente uma revolução pacífica", definiu o assessor presidencial Igor Shabdurasulov.
O Unidade foi criado há apenas três meses e é encabeçado pelo ministro das Situações Emergenciais, Serguei Shoigu, que teve o apoio declarado de Putin. A guinada para a direita foi interpretada por analistas políticos como resultante do desejo dos russos de maior estabilidade político-econômica. "Somos obrigados a trabalhar com todos os representados na Duma e iremos fazer isso, não importa a que partidos pertençam", afirmou Putin em uma entrevista à agência russa RIA.
Apurados quase 90% dos votos, o Mãe Pátria-Toda a Rússia tinha 12,08%, União das Forças de Direita (8,71%), Yabloko (6,89%) e Bloco Jirinovski (6,15%).
O mercado financeiro russo acolheu com entusiasmo o resultado, na expectativa de que nos próximos meses sejam deslanchadas reformas liberais, já que pela primeira vez Yeltsin contará com uma Duma pró- Kremlin.
O mercado ficou especialmente satisfeito com a surpreendente votação da União das Forças de Direita, formada por reformistas como o ex-primeiro-ministro Sergey Kiriyenko. Entretanto, como faltam poucos meses para a eleição presidencial - e quase todos os líderes dos partidos vitoriosos são candidatos à sucessão de Yeltsin -, há nos meios políticos dúvidas de que os grupos de centro-direita formem uma firme aliança.
A leve recuperação da economia russa este ano, em razão do aumento dos preços do petróleo no mercado internacional (principal produto de exportação do país), e a até agora bem-sucedida ofensiva militar na república separatista da Chechênia foram os fatores determinantes para a rápida ascensão do Unidade.
Os grupos pró-Kremlin foram também fartamente beneficiados pelos programas das emissoras de TV controladas pelo governo ou seus aliados, que desencadearam uma campanha suja de difamação principalmente contra Luzhkov e Primakov, do Mãe Pátria-Toda a Rússia.
Os observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) consideraram a eleição regular e com "consequências positivas para os russos".

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