Paris, 20 (AE) - A vitória de Ehud Barak sobre Benjamin Netanyahu ressuscitou as esperanças de paz entre Israel e os países árabes e com os plaestinos de Yasser Arafat. Mas ninguém imagina que esta paz será fácil de se conseguir, nem que o novo primeiro-ministro, Barak, venha satisfazer de um só golpe os anseios dos palestinos.
Ex-general, coberto de glórias, mais heróico do que brando, muito inteligente mas seguro de si, Barak não tem nada de "pombo". Aliás, desde suas primeiras palavras, ele colocou bem alto "a barra da paz".
"Jerusalém continuará unida sob a nossa soberania eternamente... Não haverá retorno às fronteiras de 1967... A maioria dos colonos israelenses da Cisjordânia viverá nos assentamentos sob a nossa soberania".
Estas frases, pronunciadas por Barak depois de sua vitória, poderiam ser subscritas por Netanyahu. É verdade que, ao mesmo tempo, Barak foi prestar homenagem ao seu predecessor trabalhista na Praça Yitzhak Rabin, em Tel Aviv: Rabin, assassinado por uma fanático da direita israelense, Rabin, o pai (juntamente com Shimon Peres) dos acordos de Oslo, estes acordos pacíficos, massacrados depois por Benjamin Netanyahu.
E então, o que pensar? Os países árabes dão o tom: com exceção do rei Abdallah II, da Jordânia, que se declarou "muito otimista", todos os outros lideres árabes comemoraram mais a queda de Netanyahu, seu "animal negro", do que a chegada de Barak. A idéia dos árabes é esta: uma grande pedra (Netanyahu) foi retirada do meio da estrada. Mas o caminho para a paz continua acidentado e difícil.
Também a Europa dá mostras de otimismo, temperado por uma extrema prudência. Isso explica talvez certa inércia , uma expectativa vagamente resignada.
Ao contrário, os Estados Unidos manifestaram imediatamente uma alegria e um dinamismo excepcionais. Pelo menos a Casa Branca. Esse contentamento é compreensível. Em primeiro lugar, Bill Clinton, que jamais simpatizou com Netanyahu, acabou indispondo-se decididamente com o líder isralense. Em certo momento, o presidente americano chegou a recusar-se a receber Netanyahu na Casa Branca. O fracasso de Netanyahu é portanto uma notícia "divina".
E Clinton se apressou a relançar o pesado processo das negociações.
E isso é fácil de entender: Embora Clinton tenha tido êxito na área econômica, não tem uma bela folha de sucessos em política externa: crises intermináveis, atritos com a China, desastre da Rússia, fracasso no Afeganistão, desastre na guerra de Kosovo (embora, como é fatal, a OTAN acabe vencendo).
A vitória de Barak oferece a Clinton uma chance de dourar novamente seu brazão diplomático. E tanto mais que, até a vinda de Netanyahu, os Estados Unidos nem sempre demonstraram criatividade e sucesso na zona palestino-israelense.
A energia, a rapidez com que Clinton se manifestou contrasta com a atonia européia. Tudo faz crer que, uma vez mais, incapaz de unificar suas opiniões e simultaneamente fazer um jogo à altura da enorme potência dos norte-americanos, a Europa arrisca-se a ficar marginalizada nas manobras complexas e sutis que se desenvolverão em torno de Arafat e Barak. A não ser que - como se espera - os norte- americanos compreendam que a familiaridade de alguns países europeus com o Oriente Médio lhes permita aportar sua ajuda a esta tarefa tão difícil: pôr um fim a essa "guerra de 50 anos".

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