Vitória aumenta margem de governabilidade de Aznar Do enviado especial Reali Júnior
Vitória aumenta margem de governabilidade de Aznar Do enviado especial Reali Júnior13/Mar, 17:17 Madri, 13 (AE) - A inequívoca vitória do conservador Partido Popular (PP) nas eleições da Espanha, que obteve maioria absoluta nas Cortes (Parlamento), aumenta consideravelmente a margem de governabilidade do primeiro-ministro José María Aznar nos próximos quatro anos. Isto se deve ao fato de que ele não terá necessidade de concluir alianças com outras forças políticas como no passado, quando uniu-se à Convergência e União (CiU) - o partido catalão de Jordi Pujol. Na euforia da vitória esperada - mas cuja dimensão surpreendeu -, os dirigentes do PP se mostravam generosos revelando disposição de continuar governando com os antigos aliados políticos. Contudo, a relação de força foi fortemente alterada nas urnas. A tal ponto que o bom resultado obtido pelo CiU e pelo Partido Nacionalista Basco (PNV), aumentando suas bancadas, teve um gosto amargo de derrota. A influência dessas agremiações na vida política do país foi praticamente anulada pela maioria absoluta conquistada pelo PP de Aznar. O primeiro-ministro espanhol recebeu dos eleitores um cheque em branco para prosseguir com seu programa de governo, em especial a política econômica, cujo balanço tem sido positivo. Permitiu a internacionalização econômica da Espanha, que expandiu seus interesses para a Europa e a América Latina, onde já é, depois dos Estados Unidos, o segundo maior investidor estrangeiro. Basta uma leitura superficial dos jornais de economia do país para constatar o interesse dos grupos financeiros e industriais espanhóis em multiplicar as aplicações em países latino-americanos, especialmente no Brasil. O resultado eleitoral de ontem constitui uma confirmação das opções econômicas atuais dos espanhóis. Simultaneamente, esse resultado constitui forte advertência aos socialistas, que imaginavam poder voltar ao poder, pela primeira vez aliados aos comunistas da Esquerda Unida, mediante um pacto eleitoral e de governo, nascido às vésperas do pleito sem tempo suficiente para amadurecer. Um acordo mal explicado aos eleitores comunistas, de um lado, e aos socialistas mais moderados, do outro. Isso contribuiu para afastá-los das urnas, por desconfiar da validade da aliança. Apesar dos apelos insistentes dos dirigentes socialistas e comunistas no fim de campanha em favor de uma forte mobilização, o índice de abstenção atingiu 30%. Não foram só essas as causas da derrota. Os espanhóis estão convencidos de que o país vai bem com Aznar nos planos econômico e social. O desemprego está em queda - redução de 23% para 15 % - e a Espanha tem tirado proveitos da boa conjuntura que atravessam os países da União Européia. O que ocorreu foi também uma batalha pelo centro, imposta pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que acabou perdendo. Enquanto esse partido tem procurado, durante todos esses anos, esquecer sua origem franquista, o sucessor de Felipe Gonzalez no PSOE, Joaquim Almunia, decidiu impor uma guinada mais à esquerda ao partido para confortar sua aliança com os comunistas de Esquerda Unida (IU). Convencido da forte implantação das forças de esquerda na sociedade espanhola abandonou a luta pelo centro, sempre preservado por seu antecessor na direção do PSOE, Felipe Gonzalez. O PP de José Maria Aznar aceitou a oferta gratuita sem discutir o presente inesperado. O resultado foi a perda do eleitorado centrista, reticente à aliança com os comunistas, além de não ter conseguido sensibilizar suficientemente a esquerda mais radical, próxima da IU de Francisco Frutos. O PSOE que no auge dos escândalos financeiros perdeu a eleição com Felipe Gonzalez por apenas 300.000 votos, desta vez sofreu uma erosão de 2 milhões de votos, enquanto os comunistas da Esquerda Unida foram arrasados com a perda de 1 milhão de votos, uma redução de dois terços de sua bancada nas Cortes espanholas. Agora, ambos os partidos preparam-se para convocar suas instâncias superiores com urgência (o PSOE deve antecipar seu Congresso), em busca de novas estratégias que lhes permitam corrigir esse mal passo e inverter a atual tendência desfavorável.





