Vítimas vão à Justiça pelo reconhecimento da causa da LER
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sexta-feira, 24 de junho de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O motorista de caminhão Volnei de Bona, 42 anos, está afastado do trabalho desde agosto de 2003, após vistoria do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) constatar sua incapacidade para o trabalho e reconhecer seu direito ao benefício do auxílio-doença. Ele, agora, busca por meio de ação na justiça o reconhecimento de que adquiriu a doença em função do trabalho exercido.
O caso de Bona é um dos exemplos apontados pela Associação de Defesa dos Vitimados pelo Trabalho do Estado do Paraná (ADVT), que afirma que uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores que adquirem Lesões por Esfoços Repetitivos (LER) é obter o reconhecimento do nexo causal. Dados do Ministério da Previdência e Assistência Social comprovam essa realidade. Em 2004, o órgão concedeu 390 mil benefícios de auxílio-doença para acidentes de trabalho, mas apenas 5,44% desses casos (cerca de 21 mil trabalhadores) tiveram reconhecido o nexo causal. Índice bem inferior à estimativa da ADVT, de que cerca de 40% desses casos devem ser relativos a trabalhadores com LER.
''Conseguir o benefício do auxílio-doença já é difícil, mas obter o nexo causal é quase impossível'', afirma o coordenador da ADVT, Alexandre Felizardo. Segundo ele, os obstáculos começam nas empresas, que negam-se a cumprir a lei e preencher a Comunicação por Acidente de Trabalho (CAT). Esse documento é obrigatório e serve para dar entrada no pedido junto ao INSS.
''Quando comecei a sentir dores, procurei um médico, que me mandou fazer fisioterapia. Fui no médico da empresa e ele disse para eu dar umas dez voltas em torno do caminhão que eu já ficaria bom'', conta Bona. O INSS o afastou entre agosto de 2003 e 27 de fevereiro deste ano, quando retornou ao trabalho. A empresa, segundo ele, sequer o encaminhou para fazer o exame de retorno, como exige a lei. No INSS, outra perícia determinou seu afastamento desde 9 de março. Bona conta que sente dor 24 horas por dia. Ele teve rompimento de tendões nos dois braços e problemas de coluna.
Serviço: O telefone da ADVT é (41) 3232-1663. Mais informações nos sites www.advt.hpg.com.br; www.saudetrabalhador.org.


