Vítimas temem próximo temporal
São Paulo, 27 (AE) - Depois de passar a noite em claro, limpando a lama que atolava piso e móveis de suas casas, os moradores da Rua Santa Luzia, que fica próxima ao Córrego Pirajuçara e bem na divisa entre São Paulo e Taboão da Serra, começaram a temer a próxima chuva. O céu estava cinzento, ameaçador. "Suportamos três enchentes em três dias, não dá para aguentar a quarta", queixou-se a dona de casa Eliane dos Santos
de 27 anos, que mora no bairro há 18 e sofre a cada chuva mais forte.
Hoje, a situação no bairro era de caos absoluto. A água dentro das casas passou dos 2 metros de altura. Quando a chuva começou, no meio da tarde, os moradores que tinham carro abrigaram-se neles e correram para um local mais alto, à espera que o temporal passasse. Não passou. Choveu sem parar até a noite. De madrugada, exaustos, voltaram para enfrentar a rotina de limpar a lama e encontrar um espaço para descansar.
"Além desse jogo-de-empurra das prefeituras de São Paulo e Taboão da Serra, que deveriam realizar obras, o que mais revolta a gente é esse abandono", disse Elaine. Segundo ela, já que o problema existe e não é resolvido, deveria pelo menos haver um esquema de emergência para os dias de enchente. "Há dois ginásios que ficam fechados enquanto a gente espera a chuva passar no relento." De acordo com a moradora, a única ajuda da prefeitura de Taboão foi uma sopa levada na madrugada de hoje. "Nem os cachorros quiseram comer aquele caldo." Ela conta que a Prefeitura de São Paulo nada fez.





