Londrina - Dois a cada dez adolescentes do Brasil já foram vítimas de algum tipo de agressão durante a vida, revelou uma pesquisa divulgada ontem pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). E de acordo com Clarice Sandi Madruga, coordenadora do estudo, os casos de violência estão associados ao consumo de drogas na fase adulta. "A chance da pessoa que sofreu algum tipo de abuso durante a infância vir a adquirir algum tipo de dependência de álcool, drogas ou até depressão mais que dobra, chega até a ser quatro vezes maior em alguns casos", afirmou. Os dados fazem parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) que ouviu cerca de 4,6 mil pessoas maiores de 14 anos em 2012, em 149 municípios brasileiros.
A pesquisa apontou que grande parte dos usuários de cocaína (52%) e de maconha (47,5%) foram vítimas de abuso infantil. O levantamento mostra também que 5% da população adulta (maior de 18 anos) relataram ter sido vítima de abuso sexual na infância ou adolescência, o que representa cerca de 5,5 milhões de brasileiros. O abuso de meninas (7%) foi mais alto que o de meninos (3,4%). A pesquisa revelou ainda dados sobre a prostituição infantil, que foi classificada como um "problema social e de saúde pública gravíssimo". Os pesquisadores identificaram que mais de 1% dos participantes da pesquisa relataram ter recebido dinheiro para fazer sexo antes dos 18 anos de idade.
Segundo Adriana dos Santos, coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 3), em Londrina, das cerca de 200 crianças e adolescentes atendidas no município em situação de rua ou exploração sexual, uma parcela significativa foi violentada na infância. "Tudo acaba sendo consequência da violência, que se apresenta de diversas formas, como sexual, negligência, agressão física e resultado do abuso de álcool e drogas. Elas saem de casa para fugir desse ambiente nada protetor e são vítimas das situações de sobrevivência, como uso de drogas e exploração sexual", resumiu. Levantamento recente feito com dados de cerca de 83% dos Conselhos Tutelares de todo o País revelou que pais e mães são responsáveis por metade dos casos de violações aos direitos das crianças e adolescentes, como maus-tratos, agressões, abandono e negligência.
Para o promotor da Infância e Juventude de Londrina, Marcelo Briso, os dados da pesquisa não causam espanto, mas ele adverte que existe uma grande parcela de adolescentes que não sofreram nenhum tipo de violência, não estão em situação de rua e ingressam na criminalidade ou uso de drogas mesmo assim. "Com certeza, a violência sofrida é fator de vulnerabilidade e crianças e adolescentes buscam fuga nas drogas, por exemplo. Alguns entram no tráfico para manter o próprio vício. Porém, temos que encontrar a resposta para o que, além da violência, está levando os jovens ao consumo de entorpecentes, sobretudo, a maconha."(Com Folhapress)

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