Vítimas sentem vergonha
e evitam registrar queixa
Na semana passada, J.R.O.F. caiu no chamado conto da ‘‘Quina Premiada’’, em Maringá, e perdeu R$ 1 mil da conta corrente do marido. Ela preferiu dar entrevista à Folha sem se identificar, apesar do seu caso ter sido registrado no boletim informativo do 4º Batalhão da Polícia Militar (BPM). J. não quis registrar queixa na delegacia.
Além do desgosto de ter sido apanhada no golpe, J. disse que ficou triste com o tratamento que recebeu de policiais e da imprensa. ‘‘Não sabia que as vítimas eram consideradas burras e gananciosas, pois eu não me senti assim, quando fui envolvida pelos golpistas’’, contou.
O caso começou na Avenida Herval, em uma quarta-feira, por volta do meio-dia, quando J. foi abordada por um homem que demonstrava ser analfabeto. Ele pediu orientação sobre um endereço e no meio da conversa com J. um casal se aproximou. Era uma mulher com traços orientais e um homem moreno que se diziam cunhados. Neste momento, o ‘‘analfabeto’’ estava contando que morava no sítio e que uma pessoa de Maringá que teria passado em sua casa como vendedor, havia deixado como troco um bilhete da Quina.
O ‘‘analfabeto’’ continuou a história dizendo que esta mesma pessoa havia oferecido pelo bilhete, dias depois, R$ 20 mil em dinheiro, uma bicicleta e uma televisão. O casal que começou a participar da conversa, se interessou em levar o bilhete para uma lotérica e conferiu que ele era ‘‘premiado’’.
J. conta que o envolvimento dos golpistas foi impressionante. ‘‘O analfabeto chegou a dizer que foi Deus quem me colocou no caminho dele para não ser enganado, pois afinal, ele estava com um bilhete da Quina premiado’’, lembra. Segundo J., os golpistas continuaram a encenação, que incluiu uma crise de choro do ‘‘analfabeto’’, que dizia estar sem documentos e portanto, sem condições de ir retirar o valor do prêmio.
Nesta altura, o casal passou a tomar conta da situação, deixando dinheiro para o ‘‘analfabeto’’ como garantia de confiança. J. disse que buscou R$ 1 mil na conta corrente do marido porque achou que o ‘‘analfabeto’’ não tinha noção de ‘‘valores’’ e que esta quantia iria servir de base para ele confiar que ninguém no grupo iria enganá-lo por causa do bilhete premiado.
Segundo J., depois da entrega do dinheiro, a ‘‘história’’ passou a se desenrolar de forma estranha. ‘‘Durante todo tempo a japonesa segurava em meu braço de forma simpática com o objetivo de demonstrar confiança’’, lembra.
Em seguida, o suposto cunhado da japonesa ofereceu R$ 2 mil como uma espécie de ‘‘agradecimento’’ para J. e disse que iria resolver a situação com o ‘‘analfabeto’’. J. deixou o grupo com um endereço na Rua Getúlio Vargas, onde estaria os R$ 2 mil. ‘‘Cheguei no endereço e não tinha nada. Quando voltei para a praça, todos haviam ido embora’’.

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