Vítimas relatam horrores em julgamento
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quinta-feira, 28 de agosto de 2003
Carlos Mendes<br> Especial para a Agência Estado 
Belém - O comerciante Amailton Madeira Gomes e o ex-soldado da Polícia Militar do Pará Carlos Alberto dos Santos Lima, acusados de sequestro, tortura, castração e morte de cinco crianças em Altamira, no Pará, foram reconhecidos ontem no Tribunal do Júri, em Belém, como envolvidos nos crimes por dois sobreviventes e testemunhas.
O julgamento dos cinco acusados de sequestrar, torturar, castrar e matar cinco crianças em Altamira (PA), entre 1989 e 1993 começou quarta-feira. Estão sendo julgados o comerciante Amailton Madeira Gomes e o ex-soldado da Polícia Militar Carlos Alberto dos Santos Lima, que trabalhou como vigilante na casa de Gomes na época dos crimes. Os dois negaram em juízo qualquer participação. Chegaram a dizer que nem sequer conhecem os outros acusados. O juiz desmembrou as sessões. O julgamento de Gomes e Lima deve terminar hoje. Terça-feira serão julgados Valentina de Andrade, que mora em Londrina, e os médicos Césio Flávio Caldas Brandão e Anísio Ferreira de Souza.
Enquanto Amailton teria sido visto andando de carro e a cavalo nas proximidades dos locais onde alguns corpos foram encontrados, Carlos Alberto seria o mesmo homem que teria atraído duas crianças para a mata e depois as dopado para outras pessoas castrá-las.
Hoje com 22 anos, mas à época dos crimes com apenas nove, Otoniel Bastos Costa apontou Carlos Alberto como o homem que o convidou para apanhar mangas maduras. Na mata, disse que teve o rosto coberto por um pano embebido em uma substância cujo cheiro não soube identificar e por fim desmaiou. ''Ao voltar a mim, estava amarrado e adormecido da cintura para baixo. Desmaiei novamente. Mais tarde, após despertar, entrei em pânico ao verificar que estava sem os órgãos genitais''.
O menino foi socorrido por um vendedor de leite. Assistido por uma psicóloga durante o depoimento, Otoniel disse já ter se submetido a 14 cirurgias. Ele usa uma prótese no lugar do pênis e dos testículos. ''Estou com sequelas físicas e psicológicas'', resumiu.
O outro sobrevivente a depor foi Wandicley de Oliveira Pinheiro. Muito abalado, o rapaz, hoje com 22 anos, chegou a precisar de atendimento médico antes de ingressar no salão do júri. Depois, também reconheceu Carlos Alberto dos Santos Lima como um dos autores da castração da qual foi vítima.
Wandicley disse que aos 9 anos saiu de casa para brincar, quando foi abordado por um desconhecido que o convidou para pegar uma pipa. O homem levou o menino até um matagal. Lá enrolou um pano embebido com cheiro forte em seu rosto. ''Eu estava meio desacordado e ouvi várias vozes masculinas. Depois, desmaiei. Ao acordar, estava completamente nu e sem os órgãos genitais''.
O julgamento deve prosseguir hoje, quando haverá o duelo entre acusação e defesa, com três horas para cada. A sentença deve sair no final da tarde.


