Vítimas pagaram até com cartão de crédito por jazigos no cemitério de Ibiporã, afirma polícia
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sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Rafael Machado e Micaela Orikasa - Grupo Folha 
A DCCO (Divisão de Combate à Corrupção) da Polícia Civil segue investigando o suposto esquema de venda ilegal de jazigos e remoção de cadáveres do Cemitério São Lucas, em Ibiporã. O assunto é apurado na Operação Necrópole, deflagrada há mais de uma semana e que prendeu 13 pessoas, incluindo o diretor do local, Paulo Ribeiro, considerado como líder da possível organização criminosa.

Durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (11), o delegado responsável pelo caso, Thiago Vicentini, informou que o inquérito "está bem volumoso, muito extenso. Identificamos até pagamento por cartão de crédito. A pessoa não tinha dinheiro ou cheque, mas um dos investigados pegou o aparelho e coletou o pagamento mesmo assim. Também há informações de compras irregulares feitas em 2009, ou seja, acaba mostrando que as incoerências aconteciam há bastante tempo", disse.
No início da semana, a Justiça revogou as prisões temporárias de seis dos 13 suspeitos. Conforme o delegado, a expectativa é que outras decisões de soltura atinjam os outros, que devem ser monitorados por tornozeleiras eletrônicas e cumprir uma série de medidas cautelares. Depois de serem presos, alguns foram transferidos para a cadeia de Ibiporã, que contabiliza episódios de superlotação e fuga em massa de detentos.
As precárias condições da carceragem foram relembradas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao conceder um habeas corpus a uma das investigadas. "Ela está detida em um container juntamente com outras 13 presas, o que viola a legislação vigente. A Lei da Prisão Temporária dispõe que os presos temporários deverão permanecer obrigatoriamente separados dos demais detentos, o que não ocorreu no caso citado". Apesar do despacho, a defesa avaliou que não vai se manifestar.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo cobrava entre R$ 2 e 22 mil pelas áreas que são públicas. A Prefeitura de Ibiporã instaurou sindicância para investigar os servidores municipais que participariam da organização criminosa. O cemitério São Lucas já identificou mais de 200 vítimas do eventual golpe.


