A DCCO (Divisão de Combate à Corrupção) da Polícia Civil segue investigando o suposto esquema de venda ilegal de jazigos e remoção de cadáveres do Cemitério São Lucas, em Ibiporã. O assunto é apurado na Operação Necrópole, deflagrada há mais de uma semana e que prendeu 13 pessoas, incluindo o diretor do local, Paulo Ribeiro, considerado como líder da possível organização criminosa.

Imagem ilustrativa da imagem Vítimas pagaram até com cartão de crédito por jazigos no cemitério de Ibiporã, afirma polícia
| Foto: Reprodução/Polícia Civil

Durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (11), o delegado responsável pelo caso, Thiago Vicentini, informou que o inquérito "está bem volumoso, muito extenso. Identificamos até pagamento por cartão de crédito. A pessoa não tinha dinheiro ou cheque, mas um dos investigados pegou o aparelho e coletou o pagamento mesmo assim. Também há informações de compras irregulares feitas em 2009, ou seja, acaba mostrando que as incoerências aconteciam há bastante tempo", disse.

No início da semana, a Justiça revogou as prisões temporárias de seis dos 13 suspeitos. Conforme o delegado, a expectativa é que outras decisões de soltura atinjam os outros, que devem ser monitorados por tornozeleiras eletrônicas e cumprir uma série de medidas cautelares. Depois de serem presos, alguns foram transferidos para a cadeia de Ibiporã, que contabiliza episódios de superlotação e fuga em massa de detentos.

As precárias condições da carceragem foram relembradas pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), ao conceder um habeas corpus a uma das investigadas. "Ela está detida em um container juntamente com outras 13 presas, o que viola a legislação vigente. A Lei da Prisão Temporária dispõe que os presos temporários deverão permanecer obrigatoriamente separados dos demais detentos, o que não ocorreu no caso citado". Apesar do despacho, a defesa avaliou que não vai se manifestar.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo cobrava entre R$ 2 e 22 mil pelas áreas que são públicas. A Prefeitura de Ibiporã instaurou sindicância para investigar os servidores municipais que participariam da organização criminosa. O cemitério São Lucas já identificou mais de 200 vítimas do eventual golpe.

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