Vítimas não informam renda à Sersan
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terça-feira, 10 de março de 1998
Agência Estado 
Tasso Marcelo/Agência Estado
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NegociaçãoEx-moradores do edifício Palace II reúnem-se com os advogados da Sersan Silvio Viola (esq., ao fundo), e Marco Aurélio Monteiro (dir., ao fundo) Os ex-moradores do edifício Palace II, que desabou no Rio, se recusaram a dar à Construtora Sersan informações sobre o rendimento mensal das famílias, um dos itens do formulário em que a empresa vai se basear para indenizar os ex-condôminos. De acordo com a Associação das Vítimas do Palace II, os dados referentes à comprovação de renda - como número de conta-corrente em banco, cartões de crédito, local de trabalho - não serão preenchidos pelos integrantes da entidade.
Quando compramos o apartamento eles não pediram nenhum comprovante de renda, alegou a jornalista Nelma Esteves, uma das representantes da associação. Seis integrantes da entidade se reuniram ontem à tarde com os advogados Sérgio Viola e Marco Aurélio Monteiro de Barros, contratados pela Sersan para representar a empresa nas negociações sobre as indenizações, que prometem serão pagas em seis meses aos ex-moradores. Viola não se mostrou preocupado diante da atitude dos condôminos. Não somos fiscais da Receita; queremos o melhor acordo possível, afirmou. A empresa não está preocupada em fazer economia, ela quer fazer justiça.
Na reunião, os advogados recusaram proposta da associação de que fosse estabelecido um valor único para a indenização referente aos danos morais. Como podemos dar o mesmo valor para uma pessoa que estava em casa no dia do desabamento e outra que estava viajando e não viveu aquilo de perto?, questionou Viola. Segundo ele, neste caso os valores serão estudados caso a caso.
Até ontem 48 ex-moradores haviam retirado individualmente os formulários distribuídos pela construtora - outros 62 retiraram por meio da associação. Sílvio Viola informou que três ex-moradores já devolveram os formulários preenchidos, mas ainda não há prazo para serem chamados para negociar um acordo. Os advogados estão estudando as indenizações aos parentes de duas vítimas - o defensor público Gil Maneschy e o engenheiro civil Gerardo de Oliveira Queiroz.
A Sersan se comprometeu ontem a transferir os ex-moradores do edifício Palace II - temporariamente alojados em dois hotéis - para apart-hotéis situados na Barra da Tijuca e custear as despesas deles até que todos sejam indenizados. De acordo com os advogados da empresa, dois funcionários do deputado Sérgio Naya (sem partido-MG) especializados em hotelaria já estão no Rio avaliando os locais para onde os ex-moradores serão levados.


