Vítimas não eram traficantes
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
Agência Folha Rio de Janeiro 
Morador do morro do Andaraí (zona norte do Rio), Carlos Augusto Silva Borges, lamentava o assassinato de dois amigos: Não tenho mais o que chorar. Queria que fosse uma morte justa, eles não tinham nada a ver com o tráfico. Os dois amigos eram Rildo Andrade de Oliveira, 17, e Diógenes Marques da Silva, 19. Segundo Borges, por volta das 2h de ontem eles foram mortos ao sair de sua casa, após assistirem a um vídeo e confeccionar fantasias para uma festa junina.
Oliveira e Silva, garantiram seus familiares e o amigo Borges, eram trabalhadores e não se envolviam com o tráfico de drogas. Ao cruzar uma rua da favela, teriam topado com três traficantes que tentavam invadir o local. Os dois foram fuzilados. Um casal de amigos, que vinha um pouco atrás, teria voltado correndo para buscar abrigo na casa de Borges.
Borges disse que os quatro amigos, embora tivessem ouvido uns tirinhos, decidiram voltar para casa. Segundo ele, tiros são comuns na favela. Como não houve mais tiros, o grupo teria achado que não haveria problema em sair. O terceiro rapaz morto no Andaraí não havia sido identificado pela Polícia. Segundo o major do 6º BPM Marco Alexandre, os três trabalhariam para o Comando Vermelho.


