Belo Horizonte- Trinta e três anos depois do desabamento de uma laje durante as obras de construção do Parque de Exposição da Gameleira, em Belo Horizonte, provocar a morte de 65 pessoas, a Justiça de Minas Gerais condenou uma empresa de engenharia e o governo do Estado a indenizar parentes e vítimas da tragédia. A sentença do juiz José Afrânio Vilela, da 5ªVara de Fazenda Pública e Autarquias, prevê indenização de R$ 5,6 milhões a 23 familiares das vítimas e a sete operários que sobreviveram ao acidente.
  Foram responsabilizados o Estado, a extinta Companhia de Desenvolvimento Urbano (Codeurb) de Minas, e a empresa Serviços de Engenharia S/A (Sergen), responsável pela obra. A decisão foi publicada hoje no Minas Gerais, diário oficial do Estado, mas ainda cabe recurso.
  Para cada um dos sete operários, que ficaram inválidos, o valor da indenização foi fixado em R$ 150 mil. O juiz levou em consideração a ‘‘dor moral’’ pela perda de um familiar e estendeu o direito de receber a indenização aos filhos, irmãos e pais mortos no soterramento. De acordo com a sentença, cada família receberá R$ 200 mil, além de uma pensão mensal correspondente ao salário que cada trabalhador recebia na época, mais 13º, até quando eles completariam 65 anos de idade.
  Segundo Vilela, a demora pela divulgação da sentença se deve à burocracia da legislação processual brasileira e ao fato de muitas vítimas que sofreram ferimentos não terem comparecido aos julgamentos e perícias médicas.
  No dia 4 de fevereiro de 1971, pouco antes do meio-dia, foi retirada a última escora da laje da cobertura do pavilhão. Os operários faziam o horário de almoço quando a laje, que pesava aproximadamente 10 mil toneladas, desabou. Além dos 65 mortos, outras 80 pessoas ficaram feridas no acidente.

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