Vítimas do caso Naya recebem rateio de leilão
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quarta-feira, 21 de julho de 2004
Clarissa Thomé<br>Agência Estado 
Rio- A dona de casa Jussara Borges Santos acordou o filho Flávio Matheus, de 6 anos, na manhã de ontem com uma boa notícia: ele vai ganhar a ''bicicleta grande'' que tanto tem pedido. Jussara havia acabado de receber a notícia de que a Justiça decidiu ratear o valor arrecadado com o leilão do Hotel Saint Paul pelas 81 famílias ainda não indenizadas. A cada uma coube R$ 115 mil. Outros dois bens do ex-deputado Sérgio Naya vão a pregão para pagar o restante das indenizações.
Flávio Matheus tinha 15 dias de vida quando o Palace 2 ruiu, matando oito pessoas. Jussara saía do elevador com o menino no carrinho, quando o prédio começou a ceder. Ela correu com o bebê no colo, caiu com a criança, foram encobertos pela nuvem de poeira. Matheus teve de ficar internado, com dificuldades para respirar. Quando saiu do hospital, peregrinou por motéis da Barra com os pais e a irmã, de 10 anos, até que a família foi hospedada no Hotel Atlântico Sul, onde vive até hoje.
Além de perder a casa, o marido de Jussara, Flávio Moura, teve de vender o caminhão da empresa de importação e exportação, quando a alta do dólar reduziu as vendas. ''Foi uma época muito difícil. Meu marido não tinha cabeça para nada'', lembra.
O casal chegou a comprar uma casa, mas não conseguiu pagar todas as prestações, perdeu o imóvel e voltou para o hotel. Há quatro meses, eles compraram um terreno em Vargem Grande, há cerca de 50 quilômetros do centro da cidade. ''Esse dinheiro que vamos receber não é muito. Mas vai servir para dar um bom empurrãozinho na obra. Não sabemos como vai ficar a nossa situação aqui no hotel. Eles dizem que o Sérgio Naya não paga nada pelas diárias há dois anos'', disse Jussara, que tem para receber ainda cerca de R$ 300 mil. O dinheiro servirá também para pagar as dívidas com cartão de crédito e cheque especial. A filha mais velha, Grace, que estuda em escola pública, não voltará para a rede particular. ''O dinheiro acaba, né?''
A presidente da Associação das Vítimas do Palace 2, Rauliete Barbosa Guedes, acredita que as famílias usarão o dinheiro para pagar dívidas. ''A maior parte não tem condição de comprar outro imóvel. A maioria vai colocar as dívidas em dia e talvez dar entrada em algum apartamento. O dinheiro é pouco, mas, dependendo da ocasião, um tostão vale um milhão'', acredita.


