Vítimas de sequestro não sofreram agressão física
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segunda-feira, 08 de agosto de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A família do piloto José Melo Viana, sequestrada por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) na última quinta-feira em Curitiba e libertada pela polícia no domingo, está viajando por alguns dias e ainda não definiu o que vai fazer daqui para frente. A informação é do irmão do piloto, Antônio Jorge Melo Viana, presidente do Partido Verde (PV) no Paraná e candidato à prefeitura de Curitiba nas últimas eleições.
Melo Viana confirmou, apesar de abaladas, nem a mulher, nem a filha do piloto e nem a empregada da família sofreram agressões físicas. Ele afirmou que, segundo a própria polícia, caso o sequestro não desse certo, o plano B era a mãe deles, de 75 anos.
''O tempo todo ele seguiu as instruções da polícia e buscou também o helicóptero exigido pelos bandidos'', contou Melo Viana. ''A hipótese de levantar vôo com os bandidos era remota, mas não foi descartada pela polícia'', completou. A exigência dos sequestradores era que Jorge levasse os bandidos de helicóptero até Araraquara, interior de São Paulo. Lá pegaria outros membros do PCC que dariam novas instruções.
Segundo o delegado do grupo tático Tigre, da Polícia Civil, Riad Farhat, a intenção era resgatar um preso no Complexo Penitenciário de Mirandópolis, também no interior de São Paulo, conhecido como ''tio''. A polícia está agora tentando identificar quem é este preso.
Segundo o presidente do PV, o PCC escolheu seu irmão porque ele tem quase 30 anos de experiência em pilotagem. E caso o sequestro da família do piloto não desse certo, o segundo alvo também o envolvia. ''Eles falaram que a minha mãe era o plano dois. Ela também estava sendo monitorada'', contou Melo Viana.
Segundo o Tigre, a família do piloto estava sendo investigada pelos bandidos há dois meses. A Polícia Federal e as polícias Civil do Paraná e de São Paulo continuam investigando o caso em busca do nome do preso que seria resgatado e de outros integrantes da quadrilha, de São Paulo, que participaram do sequestro.
O sequestro da família do piloto é o terceiro praticado pelo PCC no Paraná. Este ano, em Mandaguari (33 km a leste de Maringá), um gerente do Banco do Brasil teve sua casa invadida por membros do PCC que mantiveram três pessoas como reféns, exigindo R$ 1 milhão em troca deles.
Os bandidos desistiram depois que o depósito do dinheiro foi bloqueado e soltaram as vítimas. Cinco pessoas foram presas. O outro caso envolveu a mulher de um empresário de Pontal do Paraná, no litoral do Estado. Ela foi rendida por quatro membros do PCC e ficou no cativeiro por cinco dias até a polícia libertá-la.


