Vítimas de desabamento chegam a 8
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Equipes de socorro do Corpo de Bombeiros localizaram ontem na garagem do bloco 1 do Condomínio Palace, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o corpo do defensor público Gilberto Maneschy, morador da cobertura. Como também foi encontrado sob os destroços o carro do médico Milton Luís Martins, cuja mulher e dois filhos estão desaparecidos, subiu para oito o número de vítimas do desabamento.
O Gol verde de Martins foi visto pelo coronel-médico do Corpo de Bombeiros Luís Maurício. O oficial contou ter identificado vários detalhes do carro, de acordo com o que havia lhe relatado a irmã do médico, Eliane. O principal deles foi um adesivo onde se lia a palavra Nadar. Com isso, há uma grande chance da família realmente estar sob os escombros, afirmou Maurício.
Segundo o coronel-médico, a falta de escoramentos é a maior dificuldade que a equipe de resgate está encontrando para realizar o trabalho. É como pegar folha por folha de um folheado muito fino, comparou. Maurício informou que a Defesa Civil só autorizou os bombeiros a trabalhar a uma distância de 5 metros do prédio.
A Defesa Civil prometeu apresentar o laudo com as causas do desabamento em três dias. Enquanto isso, moradores da parte dos fundos do prédio ao lado abandonaram seus apartamentos. Eles temem que o restante do que sobrou do bloco 2 do Condomínio Palace caia para o lado do prédio deles. Um dos que abandonaram o apartamento foi o ex-goleiro do Fluminense Welerson. Estou com medo do que possa acontecer, afirmou. Por isso, prefiro ficar com minha família num hotel até as coisas ficarem mais esclarecidas.
AmeaçaSomente os moradores do bloco 1 do Condomínio Palace tiveram autorização para retirar os pertences do prédio. Pequenas mudanças foram feitas durante todo o dia e a noite. A maioria dos moradores preocupou-se apenas em pegar roupas e animais de estimação.
Os bombeiros estão encontrando enormes dificuldades para procurar eventuais sobreviventes, já que as toneladas de concreto que constituíam uma coluna do edifício estão depositadas no subsolo, e agora, paradoxalmente, servem para manter de pé o restante do conjunto. A impossibilidade de retirar os escombros - o que provocaria o desabamento total da construção - forçou os bombeiros a concentrar as buscas de sobreviventes no local que era o estacionamento, agora cheio de pedaços de concreto.
As investigações sobre o estado do prédio deixam a descoberto um verdadeiro festival de irregularidades, já que a construção havia sido condenada por especialistas duas vezes e não tinha o habite-se. O laudo feito pelo engenheiro civil e ex-síndico do prédio Gregório Duarte Santos e assinado pelo perito Moraes Guimarães, sob encomenda dos próprios moradores, aponta diversas irregularidades na estrutura do edifício, como colunas trincadas, juntas de dilatação oxidadas, e pilares com espaçamentos irregulares, entre outros problemas. Numa reunião ontem, Santos foi agredido por um dos moradores.
A Construtora Sersan, que construiu o condomínio, informou que pagará hotel para os desabrigados até hoje apenas.


