O governo vai conceder pensão vitalícia às vítimas de contaminação radiativa do Césio 137, no acidente ocorrido em 1987 em Goiânia (GO) e aos familiares dos pacientes renais crônicos que morreram este ano por intoxicação quando faziam tratamento no Instituto de Doenças Renais de Caruaru (PE). No acidente com o material radiativo em Goiás morreram quatro pessoas, e outras 245 foram contaminadas pelo vazamento do produto de um equipamento de raio X roubado.
Os valores das pensões variam de R$ 132,70 a R$ 265,41, conforme o grau de contaminação e das sequelas deixadas pela exposição à radiação do Césio. O maior valor será destinado às vítimas que ficaram permanentemente incapacitadas para o trabalho.
Os descendentes de pessoas contaminadas que nascerem com alguma anomalia provocada pela radiação receberão R$ 132,70. Para ter direito ao benefício, as vítimas deverão se submeter a um exame médico na Fundação Leide das Neves Ferreira, em Goiânia, para identificação do tipo de sequela adquirida. Leide foi uma das vítimas fatais do acidente.
Para os parentes dos mortos por hepatite tóxica contraída durante tratamento de hemodiálise em Caruaru, o valor da pensão é de um salário mínimo (R$ 112). A contaminação ocorreu entre os meses de fevereiro e março deste ano. Morreram 60 pessoas, 47 delas com hepatite tóxica.
Mas a advogada Rita de Cássia Lins e Silva, que representa diversas famílias de vítimas pernambucanas, chamou o valor de R$ 112 de ‘‘imoral’’, quando o projeto foi aprovado pelo Congresso. Ela entrou na Justiça pedindo indenizações com valores entre R$ 300 mil e R$ 1,5 milhão.
Massacre No Pará, o governo estadual também vai começar a pagar em janeiro uma pensão aos parentes de 10 dos 19 trabalhadores rurais sem terra mortos no massacre de Eldorado do Carajás. O decreto que autoriza o pagamento das pensões foi assinado quarta-feira pelo governador Almir Gabriel.
Cada família vai receber R$ 300,00 mensais reajustáveis nas mesmas datas e percentuais dos aumentos dos servidores públicos estaduais. A pensão é retroativa a abril passado, mês do conflito entre os sem-terra e a Polícia.
O governo pagará a pensão inicialmente a dez famílias, porque os dados sobre os parentes das demais vítimas estão incompletos ou inexistem.

mockup