Imagem ilustrativa da imagem Vítimas de chacina são enterradas em Campinas
| Foto: Denny Cesare/Código 19/ Estadão Conteúdo
O sepultamento dos 12 corpos das vítimas do atirador aconteceu na manhã desta segunda-feira


Campinas - Um dos sobreviventes da chacina ocorrida na noite de Réveillon, em Campinas (a 93 km de São Paulo), acompanhou de cadeira de rodas e amparado por amigos, nesta segunda-feira (2), o enterro dos 12 corpos das vítimas. Luiz João Batista, 58, perdeu uma filha, três irmãs, duas sobrinhas e a mãe na tragédia. Ele foi atingido por dois tiros: um de raspão no peito e outro na coxa. Ele foi levado para o Hospital das Clínicas da Unicamp e liberado na noite deste domingo (1º). Sem querer dar detalhes, Batista resumiu o caso. "Foi uma tragédia, uma tragédia. Foi um horror", repetia. "Consegui escapar pela cozinha enquanto ele [Sidnei Ramis de Araújo] atirava nas pessoas, em todo o mundo", afirmou. A vítima contou que conseguiu correr pela cozinha e pulou o muro da frente da casa, que dá para a rua. Batista não quis falar sobre a festa de Ano Novo. Aos amigos e familiares, ele agradecia a presença de todos, e tentava acalmar as pessoas com palavras de fé e esperança. "Deus vai confortar todo mundo aqui", disse. A mãe dele, Luzia Maia Ferreira, 85, foi atingida no rosto. Ela chegou a ser socorrida no hospital da Unicamp, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ela teria tentado conversar com o atirador, mas ele disparou contra ela. A irmãs dele, Antonia Dalva Ferreira de Freitas, 62, Abadia das Graças Ferreira, 56, e Ana Luiza Ferreira, 52; e a sua filha, Carolina de Oliveira Batista, 26, morreram no local. Apesar da tragédia, Batista contou nunca ter relatos de agressividade do atirador. Sidnei Ramis de Araújo, 46, disputava na Justiça a guarda do filho de oito anos com a ex-mulher, Isamara Filier, 41. Matou os dois e depois se suicidou.
No velório das 12 vítimas da chacina, no Cemitério da Saudade, em Campinas, o clima era de consternação. Poucas pessoas se disponibilizaram a falar com a imprensa. Entre os que falaram, estava Sidney Donato, 50, irmão de um dos sobreviventes, Sandro Regis Donato, 44, que está internado no hospital municipal Mário Gatti, após levar um tiro no abdome. Seu quadro clínico é estável, assim como de Admilson Veríssimo de Moura, 45, internado no hospital Celso Pierro. "Ontem [segunda, 1] conversei com ele [Sandro]. Ele está bem, mas não falamos sobre essa tragédia. Ele não pode se emocionar", disse. Os enterros começaram às 9h30 e terminaram por volta das 11h30, com o sepultamento dos corpos da ex-mulher do atirador, do filho dele, João Victor Filier de Araújo, 8, e de um tio, Rafael Filier, 33.

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