Vítimas de acidente em usina acusam falta de assistência
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2001
Maranúbia Barbosa Enviada a Porecatu 
As irregularidades apontadas por funcionários da Usina Central Paraná, em Porecatu (85 quilômetros ao Norte de Londrina), que estão em greve há 19 dias, incluem também graves acidentes de trabalho. A empresa do Grupo Atalla é acusada de prejudicar familiares das vítimas que não recebem indenizações previstas por lei.
Desde o último dia 12, data do início da greve na usina, a reportagem da Folha vem sendo procurada por funcionários e parentes que relatam o drama da falta de assistência. É o caso da morte de um empregado rural que foi carbonizado quando trabalhava em um canavial e de pessoas intoxicados pelo trabalho com herbicidas, que ficaram inválidas, e não recebem assistência.
Moradora de uma casa de parede-meia, na Fazenda Marreca, dos Atalla, Aparecida da Silva, 35 anos, mãe de cinco filhos menores de idade, perdeu o marido em um acidente de trabalho. Vanderlei Querino morreu queimado há cerca de dois anos, enquanto colocava fogo no canavial. Ele ficou cercado pelas chamas. Os companheiros dele só notaram o fato no fim da tarde, relatou Aparecida. A dona de casa disse que a empresa nunca pagou qualquer tipo de indenização pela morte do marido. Vivo hoje com uma pensão que recebo do SUS, informou.
Para sustentar os filhos menores Cristina (10), Wesley (10), Tiely (9), Willian (7) e Douglas (5), dona Aparecida trabalha em uma creche da usina. Ganho salário mínimo e também estou sem receber desde dezembro, conta. Segundo ela, a empresa desconta uma taxa de R$ 20,00 para pagamento de energia elétrica da casa. Os filhos, segundo Aparecida, são portadores de necessidades especiais. Douglas, o mais novo, ainda é deficiente visual. O médico disse que ele não enxerga quase nada, relatou a mãe.
Registrado pela usina desde 1969, o ex-funcionário José Lauro da Silva, 62 anos, está se recuperando de uma cirurgia na vesícula. Ele diz que trabalhou durante anos fiscalizando a aplicação de herbicida nas lavouras de cana. Após ter sido afastado da função por recomedação médica, Silva ainda trabalhou como motorista. Eu tinha enjôos todo dia. O veneno tirou minha saúde, disse o ex-funcionário, que afirma não ter recebido indenização pela empresa.
Os funcionários em greve acusam a usina de não recolher o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), e de fazer descontos de taxas de INSS e contribuição sindical sem repassar os valores aos referentes órgãos, além de não pagar adicionais de insalubridade e periculosidade e horas-extras.


