Vítimas da guerra no Rio indignadas e com esperança
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sábado, 30 de dezembro de 2006
Alberto Komatsu<br>Agência Estado 
Rio - Indignação e esperança foram dois dos sentimentos demonstrados ontem por familiares e amigos de sobreviventes do ataque ao ônibus interestadual da Itapemirim. Três passageiras permanecem internadas em estado grave: Fernanda Daibert Furtado, com 54% do corpo queimado, Maria Beatriz Furtado de Araújo, com 40% de queimaduras, e Maria da Penha Sales Moraes, com índice de 20%.
É a violência no País, no mundo. As autoridades e a sociedade não estão fazendo nada, desabafou um amigo íntimo da modelo Maria Beatriz, mais conhecida como Bia Furtado, o maquiador Paulo Ribeiro, de 42 anos. Ele estava ontem à tarde na recepção do Hospital São Lucas, em Copacabana, zona sul do Rio, aguardando notícias.
Sete pessoas morreram com o incêndio do ônibus, provocado por criminosos durante a onda de violência deflagrada no Rio, na quinta-feira. Doze pessoas ficaram feridas e 9 passageiros fugiram do local e até a tarde de ontem ainda não haviam sido localizados. O veículo fazia o trajeto Cachoeiro do Itapemirim (ES) - São Paulo e foi atacado quando passava pela Avenida Brasil, na zona norte do Rio.
O último boletim médico de Fernanda, internada no Hospital Souza Aguiar, centro da cidade, indicava que ela estava em estado muito grave. A modelo Bia Furtado também permanece internada em estado grave no Hospital São Lucas, zona sul do Rio. A terceira vítima, Maria da Penha, também está internada em estado grave no Souza Aguiar.
De acordo com boletim médico de Bia, divulgado ontem por volta das 16 horas, não houve alteração no quadro clínico da paciente. Pela manhã, ela começou a respirar por meio de aparelhos e tomou sedativos para ser submetida a procedimentos cirúrgicos e receber curativos. Segundo o boletim, ela sofreu queimaduras extensas pelo corpo - face (severas lesões de vias aéreas), tórax e membros - tanto de segundo, quanto de terceiro graus.
Bia passava o Natal com a família em Cachoeiro de Itapemirim e retornava para São Paulo, mas o ônibus foi atacado quando trafegava pela Avenida Brasil, zona norte do Rio. Seu amigo Paulo a conhece há 12 anos, conforme ele mesmo relatou. De 1996 a 2003, quando morou em Vitória, Paulo lembra que foi o período em que teve mais contato com ela. Foi nessa época que os dois trabalharam juntos na agência Mega, em Vitória.
Segundo ele, Bia chegou a fazer catálogos de moda e comerciais no Espírito Santo, como uma campanha para o Shopping Vitória. Atualmente, a modelo morava em São Paulo e fazia free lance, relatou seu amigo. Eu só quero paz. A gente não sabe mais quando sai de casa e vai voltar, afirmou Paulo.
O ex-marido de Maria da Penha, Rubens Rosa Machado, confia em uma rápida recuperação, apesar do boletim médico informar que seu estado é grave. Não é uma queimadurinha que vai deixar ela sem falar. Está tudo tranqüilo. Está tudo bem com ela, afirma. Rubens, de 52 anos, relata que passou o Natal com sua ex-esposa em Cachoeiro de Itapemirim, na casa dos filhos.
Maria da Penha, contou seu ex-marido, faz bicos como faxineira e mora na casa de parentes, em São Paulo. Rubens, por sua vez, vive num assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no sul do Espírito Santo. Acho que se houvesse uma política social mais desenvolvida, isso aí (ataque ao ônibus) não teria acontecido, afirma.


