Cambé O ajudante de pedreiro, Josué Miranda da Silva, 22 anos, foi morto com um tiro na cabeça quando estaria tentando roubar o Mercado do Chico, no Jardim Ana Eliza III, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), por volta das 18h30 de anteontem. De acordo com informações extra-oficiais, ele e o cunhado Anderson da Silva, 19 anos, estariam armados e teriam invadido o estabelecimento na presença do proprietário e clientes.
A Polícia Civil de Cambé informou que não poderia dar detalhes sobre a ocorrência ontem, porque não tinha acesso aos boletins policiais da noite anterior. A Folha também deixou recado na secretária eletrônica do delegado Antônio do Carmo, mas até o fechamento desta edição ele não havia retornado o telefonema.
O comerciante Francisco de Assis Domingos, 46 anos, teria disparado alguns tiros que acertaram ambos. Anderson teria levado dois tiros no braço esquerdo e corrido para um matagal no próprio bairro onde foi preso por policiais militares. Josué foi atingido no lado direito da cabeça e caiu morto na esquina das ruas Matelândia e Hortências. Como a família reside em Londrina, o corpo do rapaz foi enterrado no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).
Na tarde de ontem, a família procurou a Folha para dar sua versão. Um tio da vítima, o pedreiro Rones Ferreira da Silva, de 35 anos, contou que esteve no Instituto Médico Legal (IML) na noite de sábado e que o corpo do sobrinho estava sendo liberado sem identificação. Ele reclamou também que no laudo não constam as lesões que o jovem apresentava no rosto e no peito. A família acredita que Josué possa ter sido espancado antes de ser morto. ''Eu vi o corpo. Vi que o tiro acertou acima da orelha e chegou até a queimar o cabelo em volta'', afirmou Rones.
Segundo o tio, o sobrinho não estaria armado. Ele disse que o rapaz já possuía antecedentes criminais por assalto. Josúe era casado e tinha um filho de dois anos. Já Anderson, conforme a mesma fonte, não possuía nenhuma passagem anterior pela polícia.
No IML, o auxiliar de necrópsia, Marcelo dos Santos, explicou que a família tem acesso apenas ao atestado de óbito, onde consta somente a causa da morte - traumatismo crânio-encefálico provocado por objeto perfuro-cortante. Ele afirmou que assistiu à necrópsia e declarou que o corpo não apresentava ferimentos além daqueles provocados pelo disparo. Por outro lado, argumentou que ferimentos a tiro no crânio podem provocar hematomas posteriores na face, principalmente acima dos olhos. Ele garantiu que o laudo foi assinado por dois médicos mas preferiu não informar os nomes dos profissionais sem autorização. Quanto à liberação do corpo sem a identificação comprovada, o auxiliar alegou que o procedimento teria sido apressado em ''respeito à dor da família''.
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