Vítima de tortura em delegacia é assassinada
Agência Folha
De Maceió
O eletricista José Joaquim Araújo, de 45 anos, foi assassinado com pelo menos 15 tiros na madrugada de ontem, em Maceió. Araújo vinha denunciando policiais civis de o terem torturado para confessar o assassinato do agente José de Melo, ocorrido há oito dias.
Araújo foi assassinado em casa por quatro homens cerca de dez horas após ter sido libertado. Ele foi preso no último dia 2 acusado de ter matado o policial Melo. O funcionário público Iramir Salustiano confessou o crime na última segunda-feira.
O secretário da Segurança de Alagoas, Edmilson Miranda, e o delegado Arnaldo Soares, desconfiam que policiais tenham praticado o crime com o objetivo de barrar a sindicância instaurada na Corregedoria da Polícia Civil.
No dia da morte do policial, Araújo estava em um bar quando o policial chegou bastante embriagado. O dono do bar se recusou a servir cerveja para Melo, iniciando uma discussão. O eletricista tentou acabar com a discussão, que só chegou ao fim quando Salustiano tomou o revólver do policial e disparou. Melo morreu no bar. Revoltados, os policiais começaram a procurar os supostos assassinos e prenderam Araújo.
Segundo depoimento de Araújo, ele levou uma coronhada no olho, chutes e muitos murros para confessar o crime. A tortura foi confirmada pelo Instituto Médico-Legal.
Segundo o secretário da Segurança, os policiais do 1º Distrito não torturaram o eletricista. O eletricista foi espancado por policiais de outras delegacias, que agiram por emoção. O agente Melo era muito querido, afirmou Miranda. A juíza e o Conselho Estadual dos Direitos Humanos pediram ontem que a Polícia Federal assumisse o comando das investigações do crime.





