Araçatuba, SP, 15 (AE) - A primeira vítima de leishmaniose no Estado de São Paulo, o pedreiro Osmar dos Santos, de 45 anos, que mora em Araçatuba (a 550 quilômetros da Capital), está fora de perigo e recebe medicação em casa. O médico infectologista Stelios Sikaris disse hoje que Santos deverá tomar remédios e permanecer em observação por mais dez dias.
No Jardim Planalto, todos os vizinhos do paciente num raio de 200 metros estão sendo submetidos a exames de sangue. O procedimento é monitorado pelas secretarias estadual e municipal de saúde. As análises estão sendo realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz e a finalidade é localizar outras pessoas que tenham sido contaminadas.
A leishmaniose é causada por um protozoário. As formas mais comuns são cutânea a visceral, da qual o morador de Araçatuba está se recuperando. A cutânea provoca lesões permanentes na pele, principalmente no rosto, braços e pernas. A visceral, considerada mais grave, ataca o fígado, baço e medula óssea. A medicina registra casos em humanos, cães e raposas. O médico Sikeris diz que o tratamento da doenças é delicado nos seres humanos e pode levar à morte se não diagnostica à tempo.
A transmissão é feita pelo mosquito palha, ou "birigui". Ele procria em ambientes de grande concentração de matéria orgânica em decomposição. Seu habitat são as fezes bovinas. Os biólogos afirmam que o mosquito só vivia nas matas e que o desmatamento provocou sua migração para as cidades.
No homem os sintomas da leishmaniose são febre, emagrecimento, aumento do volume do abdome, cabelo seco, crescimento dos cílios e desnutrição.
Os cães foram os primeiros seres a serem contaminados pela leishmaniose em Araçatuba. Os exames constataram a doença em mais de 400 animais. Os sintomas são emagrecimento, crescimento das unhas, queda de pelos, infecção da pele e falta de apetite. Não há cura quando o mal atinge os cães e o sacrifício é a única solução.

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