Vítima de bala perdida passa por nova cirurgia
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quinta-feira, 03 de julho de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Londrina- Mais de três meses depois de ser atingida na cabeça por bala perdida, Daniela Aparecida Dias da Silva, 11 anos, passou pela segunda cirurgia para reconstituição do local atingido. A informação foi divulgada apenas ontem pela Santa Casa de Londrina, onde ela foi operada pelo neurocirurgião Fahd Haddad. Na manhã de ontem, a menina deixou o Hospital Infantil Sagrada Família e voltou para casa, numa propriedade na Zona Norte de Londrina.
O médico responsável pela cirurgia informou, por meio da assessoria de imprensa da Santa Casa, que o procedimento foi bem-sucedido. ''Em agosto ela volta para a escola. Vida normal'', destaca. A paciente passou por uma uma cranioplastia para corrigir a falha óssea provocada pelo disparo que atingiu o osso frontal da cabeça.
A mãe de Daniela, Maria das Graças Dias da Silva, 31, afirmou que a filha deve ficar em repouso por alguns dias, mas que provavelmente voltará às aulas após as férias escolares. Atualmente, a criança tem acompanhamento psicológico uma vez por semana em Ibiporã.
Apesar de se dizer tranquila após o fim da cirurgia, Maria das Graças lamentou a falta de assistência. Segundo ela, a corporação teria se comprometido a fazer o transporte delas para os atendimentos médicos. ''Só que liguei para a polícia e um ficou empurrando para o outro e acabamos indo embora de ônibus'', criticou. Com isso, a volta para casa que poderia durar cerca de uma hora, acabou demorando quase o dobro.
No local atingido pelo tiro, foi colocada uma prótese de 8 centímetros de comprimento por 3 de largura, nos pontos mais extensos, já que o formato é irregular. O material sintético, conhecido como cimento ósseo, é moldado na hora da cirurgia pelo próprio médico e ocupa toda a falha óssea. Haddad informou ainda que não será necessário trocar a prótese e que a menina só precisará voltar ao hospital na próxima semana para retirar os pontos.
A primeira cirurgia, para retirada de fragmentos ósseos, foi realizada um dia após o incidente. Na época, o local do ferimento ficou coberto apenas pela pele, por isso, houve a necessidade de reconstituição com a prótese. No total, ela ficou nove dias internada - quatro deles na UTI.
Daniela foi atingida quando, junto com outras crianças, catava frutas num pomar no Sítio São Carlos, na Gleba Lindóia (Zona Norte de Londrina), na tarde de 16 de março. O incidente ocorreu enquanto policiais militares trocavam tiros com bandidos. Uma perícia feita pelo Instituto de Criminalística demonstrou que o tiro que acertou Daniela teria partido da arma de um dos PMs.
O comando da 4 Companhia Independente da Zona Norte informou, através do setor de relações públicas da PM, que a assistência a Daniela foi prestada até a alta hospitalar. ''Todo esse suporte foi dado e vários transportes feitos. No momento necessário, a polícia sempre esteve presente'', declarou o tenente Ricardo Eguedis.


