Vítima de atirador de Goiânia não quer voltar para escola
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domingo, 22 de outubro de 2017
Sarah Teófilo Agência Estado 
Goiânia - Após ter alta do hospital, um dos quatro estudantes baleados em Goiânia não pretende voltar a estudar no Colégio Goyases. Com 13 anos, o garoto disse à reportagem que sente "raiva" da escola, na qual foi atingido por um tiro nas costas, disparado por um colega de classe, de 14 anos.
De acordo com a própria vítima, recentemente seus pais foram chamados à escola por ele ter brigado com outro adolescente, que o acusou de bullying. "No meu caso, levei suspensão. O menino estava planejando há um tempo e ninguém notou nada ou chamou os pais dele?"
Ele relata que estava fora da sala de aula no momento do primeiro disparo, assim como outra vítima, que continua internada. De acordo com o garoto, os dois colegas resolveram entrar para ver o que era o barulho. "Ele atirou em mim, eu caí e já fui para a sala do lado. Depois corri para fora da escola", conta. O jovem afirma que não era amigo do adolescente que efetuou os disparos e que estuda com ele há dois anos. "Ele tinha poucos amigos, era na dele, quieto", explicou.
O estudante ficou internado no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) de sexta-feira (20) até este domingo (22). Outras três garotas, entre 13 e 14 anos, seguiam internadas no Hugo e no Hospital de Acidentados de Goiânia até o início da tarde deste domingo. No sábado (21), foram enterrados, na capital de Goiás, os dois garotos mortos no tiroteio João Pedro Calembo e João Vitor Gomes, ambos de 13 anos.
O diretor do colégio, Luciano Rizzo, declarou que comentará as afirmações do aluno depois que a instituição amadurecer o que foi dito. "Por enquanto, não chegou nada para mim", disse.
DESPEDAÇADA
A mãe do estudante Calembo, morto no ataque, publicou uma mensagem nas redes sociais dizendo que está despedaçada. Bárbara Melo fez uma homenagem ao filho e pediu para que ele não seja julgado. "Não julgue o nosso filho, a nossa família pelas notícias que você tem lido", escreveu.
Esta é a segunda mensagem que a mãe publica sobre o filho depois do atentado. Anteriormente, ela publicou uma foto do adolescente e escreveu: "Hoje não tem texto bonito. Apenas uma mãe despedaçada."
Leia abaixo o texto da publicação, que já teve mais de 1,6 mil comentários:
"A vida e suas reticências... não vou reclamar meu Papai do Céu... Apenas aceitarei seus propósitos. Não entendo, nunca vou entender. Não quero buscar explicações. O Senhor apenas me emprestou o João Pedro pelos melhores 13 anos da minha vida. Não julgue o nosso filho, a nossa família pelas notícias que vc tem lido. Nós é a escola sabemos que não foi assim. Somos pais presentes, disponíveis, empenhados na educação dos nossos 3 filhos. Respeitem nosso luto, somos humanos, falhos, gente que tenta acertar todos dias. Meu príncipe foi morar num lugar onde não há choro, tristeza ou dor. Nosso filho querido, amado, responsável por natureza.... Amamos vc eternamente! Estou despedaçada, mas o Senhor, no tempo dEle, me restaurará."


