Vítima de acidente, tetraplégico cria soluções
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Em 1996, um inocente mergulho em uma piscina trouxe pelo menos duas consequências para o futuro de Leonardo Rodrigues da Silva. Uma delas foi trágica: Leonardo bateu a cabeça no fundo e ficou tetraplégico. A outra, foi resultado justamente de sua nova situação. Ao se ver envolvido por um longo tempo em internamentos e sessões de fisioterapia, ele constatou que havia uma carência de equipamentos usados nessa área e decidu usar seus conhecimentos para desenvolver novas tecnologias que viessem ajudar na terapia de deficientes ou não.
Foi assim que ele desenvolveu o BioFeed, um equipamento para leitura de movimentos humanos, que pode ser usado por fisioterapeutas e treinadores físicos, e que foi atração, ontem, na abertura da Feira de Inovação Tecnológica, realizada pela Incubadora Tecnológica de Curitiba (Intec) do Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar). Em parceria com incubadoras sediadas em Curitiba, a feira reuniu 25 empresas incubadas, com atuação nas áreas de tecnologia da informação, meio ambiente, saúde, design, gestão e outras, para apresentarem seus produtos a potenciais clientes, fornecedores e parceiros.
O BioFeed foi desenvolvido pela BioSmart, empresa incubada no Intec. O aparelho do tamanho de uma caixa de fósforo é fixado no membro monitorado e, por meio de pequenos sensores, monitora e transmite os movimentos, por radiofrequência, a um computador. ''Hoje não há como avaliar o movimento do músculo, que muitas vezes é imperceptível'', diz Leonardo. Ele lembra que, com o BioFeed, o fisioterapeuta recebe informações sobre qualquer variação de movimento que o paciente tiver.
Isso acontece porque o BioFeed tem pequenos sensores capazes de medir a inclinação de um membro em relação ao solo e o grau de abertura de uma articulação, indicando também as acelerações a que o membro foi submetido. Os dados fornecidos pelos sensores são lidos por um software gráfico onde é possível acompanhar em tempo real os movimentos, permitindo também que seja utilizado como sistema de biofeedback. Os sensores comunicam-se com o computador por rádio-frequência, dispensando fios para conexão.
Segundo Leonardo, o aparelho é parte de um projeto que ele vem desenvolvendo desde a época do acidente. ''Reparei que, além da fisioterapia estar há muitos anos sem inovação, há muitos projetos para essa área da saúde que não saem do papel'', conta ele, que é formado em Informática e tem mestrado em Engenharia Médica. Foi assim que Leonardo fundou a empresa BioSmart, com objetivo de desenvolver projetos e novas tecnologias para a área.


