São Paulo- O papel da vitamina C no corpo humano é alvo de controvérsia. A maioria das pesquisas mostra que ela faz bem à saúde, mas vira e mexe algum estudo sugere o contrário - em altas quantidades ela poderia ser maléfica. Polêmicas à parte, recentemente um grupo de pesquisadores brasileiros apresentou dados reforçando que não só ela protege o organismo como o faz de modo ainda mais eficiente do que se imaginava antes.
A equipe da Universidade de São Paulo e do Instituto Butantã desvendou uma nova função da molécula que amplia o seu papel de faxineira do metabolismo. Já se sabia que ela age como antioxidante, combatendo os temíveis radicais livres, substâncias que provocam lesões em moléculas e estão envolvidas no envelhecimento celular.
O novo estudo, publicado na revista científica ''PNAS'', mostra que, além de ter essa ação direta de neutralização, a vitamina C age indiretamente sobre os radicais livres, ao acelerar as reações de um grupo de enzimas que impedem a formação deles. ''Quando o corpo humano está em perfeito funcionamento, há um balanço entre substâncias oxidantes e antioxidantes. Mas, se por algum motivo os primeiros aumentam de quantidade ou os segundos diminuem, temos o chamado estresse oxidativo que, em excesso, pode ser bastante tóxico para o organismo'', explica o bioquímico Luís Eduardo Soares Netto, do Instituto de Biociências da USP.
Movimentando-se pelas células, os radicais livres, que são substâncias bastante instáveis porque têm um número ímpar de elétrons, tentam desesperadamente se ligar a uma outra molécula. Os alvos preferenciais são DNA e proteínas, que acabam sofrendo lesões após essa união e se tornam disfuncionais. O resultado são doenças dos mais diversos tipos.
Para retomar o equilíbrio, o ideal é diminuir a formação dos oxidantes e aumentar a presença dos antioxidantes. É aí que a vitamina C entra. ''Nosso estudo mostra que ela cerca pelos dois lados'', afirma Netto.
Outro estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, apontou que a presença de gordura no estômago pode anular os efeitos anticancerígenos da vitamina C. Cientistas observaram que a vitamina C é capaz de neutralizar substâncias cancerígenas formadas a partir da mistura da saliva, do alimento e do ácido no estômago. Entretanto, adicionada gordura à essa mistura, o efeito da vitamina foi eliminado. Para os pesquisadores, as observações mostram como a dieta pode estar relacionada ao surgimento de alguns tipos de câncer no estômago.

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