Uma grande trapalhada acabou marcando a primeira vistoria em distribuidoras, farmácias e laboratórios, feita ontem, em Curitiba, pelos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Estadual dos Medicamentos. Acompanhados por técnicos da Vigilância Sanitária, do Procon e Receita Federal, os deputados perderam a manhã com duas visitas, à Distribuidora Farmacêutica Panarello, que não apresentou qualquer irregularidade, e à Central de Distribuição da Drogamed, para apuração de uma denúncia, que se revelou falsa.
A reclamação contra a Drogamed foi feita à CPI por um médico, que comprou duas caixas do remédio para hipertensão Captopril 25 mg, na terça-feira, e estranhou a existência de embalagens diferentes para o medicamento. O superintendente da empresa, Jorge Karam, apresentou aos deputados documentos e notas comprovando a compra legal dos dois lotes do produto, ambos fabricados em fevereiro deste ano. A Vigilância Sanitária Municipal chegou a determinar que a rede retirasse de suas lojas o medicamento, sob suspeita de haver lotes falsificados do produto.
Depois, no entanto, o laboratório Neo Química, fabricante do Captopril, explicou via fax que as mudanças seguem determinação da portaria 510/99, que obriga o uso de lacre nas embalagens e novo tipo de blister (envólucro de alumínio para os comprimidos). O laboratório, está fazendo as mudanças de forma gradativa, já que ainda possui estoques do modelo antigo.
Já a Drogamed não escapou da Receita Federal, que apreendeu duas caixas de produtos de limpeza para lentes de contato da Bausch & Lomb e aplicou um auto de infração contra a empresa. Enquanto os deputados vistoriavam a distribuidora, foram entregues pelo Correio duas caixas com os produtos de limpeza, sem nota fiscal. ‘‘Não dá para entender como isso foi acontecer. Como mexemos com uma grande quantidade de produtos, nunca recebemos mercadoria sem nota. Todas dão entrada pelo setor de estoques no fundo da loja e são rigorosamente controladas’’, dizia Karam.

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