Londrina - Várias irregularidades foram encontradas nas Unidades Básicas de Saúde dos jardins Leonor (Zona Oeste) e União da Vitória (Zona Sul) ontem. Engenheiros do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR) vistoriaram os locais a pedido do Ministério Público (MP) por suspeita de as estruturas dos prédios estejam comprometidas.
No mês passado, o promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, fez a solicitação depois que o Conselho Regional de Medicina (CRM) entregou um relatório ao MP e notificou a prefeitura sobre as condições de atendimento no município. O CRM inclusive afirmou que poderia recomendar que os médicos suspendessem as atividades para evitar riscos a funcionários e pacientes.
Na unidade do Jardim União da Vitória, o engenheiro civil Nilton Capucho, conselheiro do Crea, apontou várias irregularidades. ''O principal problema que precisa ser urgentemente consertado é o vazamento externo: uma mina que está vazando constantemente pelo muro nos fundos da unidade de saúde'', afirmou.
Além dos problemas estruturais uma funcionária da unidade de saúde informou que a sala de emergência do posto funciona num espaço improvisado e que no local não há sequer um desfibrilador. Segundo ela, a falta de médicos é constante.
O borracheiro Eduardo Henrique da Silva, que mora próximo à UBS do União da Vitória, é um dos pacientes que nem procuram mais atendimento no local. ''Só estou aqui hoje por causa da minha sobrinha. Quase nunca tem médico. O estado aqui está bem precário. Vidros estão quebrados, cadeiras da recepção também, mas o pior mesmo é a falta de médicos'', afirmou.
O gerente do Crea em Londrina, Jefferson Oliveira Cruz, afirmou que todos os dados coletados nas visitas serão encaminhados à Câmara Especializada do Crea-PR, em Curitiba, para análise, e em seguida o laudo será repassado para o Ministério Público.
Cruz ressalta que pode haver discordância entre a análise realizada pelo Crea-PR e o laudo do engenheiro, mas neste caso ele estará assumindo a responsabilidade caso aconteça algum problema. ''Há casos onde percebemos que pode haver transtorno, mas o profissional pode dizer que local está garantido'', explicou.
No Jardim Leonor a imprensa não pôde acompanhar a vistoria e o gerente também não adiantou informações do local. Os usuários da UBS do Jardim Leonor, no entanto, confirmaram que em alguns locais há manchas nas paredes, indicando infiltração. ''Há manchas nos corredores e havia também na sala de espera'', contou o gesseiro Anderson Ricardo Farina.
A reportagem pôde constatar que a sala de espera no setor de emergência não tem mais as manchas, apresentando pintura nova. Já na entrada, o teto indica que há acúmulo de água, pela extensão do bolor.
O promotor Paulo Tavares foi procurado pela reportagem, mas está em férias. A reportagem não encontrou o secretário Municipal de Saúde, Márcio Nishida, no celular. A assessoria da prefeitura também não deu retorno.

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Vistoria aponta problemas em Unidades Básicas de Saúde
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