A exigência do visto para desembarcar e fazer conexão em aeroportos dos Estados Unidos está atrapalhando a viagem de dekasseguis do Brasil para o Japão. Em Londrina, a maior preocupação dos dekasseguis é conseguir chegar no Japão a tempo de iniciar o trabalho no prazo acordado com a empresa contratante. Alguns já estão buscando alternativas, como comprar passagens via Europa, mas neste caso é preciso paciência, já que a maioria dos vôos está lotada, segundo o agente de turismo Ricardo Okada. ''Só há passagens com escala em Londres ou Paris para daqui um mês ou dois'', afirmou.
Para o dekassegui Douglas Jiro Noyori, de 35 anos, a necessidade do visto americano será um transtorno. Ele terá que interromper as férias para ir a São Paulo requisitar o visto e pagar uma taxa de US$ 100 pelo documento, além de uma taxa de agendamento. E mesmo assim ainda corre o risco de não conseguir chegar no dia marcado para o retorno ao trabalho, caso não consiga o visto. ''Isso só veio atrapalhar, a gente vem com os dias contados para ver a família. Eu vou tentar cumprir o prazo, mas corro o risco de perder o emprego'', afirmou.
A dona de casa Andressa de Oliveira Kikochi, de 23 anos, já considera perdida uma vaga para trabalhar na mesma empresa do marido, que está há seis meses no Japão. ''Eu teria que ir no dia 12, mas não vou conseguir. Não tem condições de ir pelos Estados Unidos, agora é esperar uma passagem com escala na Europa'', disse. Andressa acredita que não conseguiria o visto americano porque que não tem emprego no Brasil e não declara imposto de renda.
A expectativa de empresas de intercâmbio de Londrina é que a exigência do visto também deve dificultar viagens para o Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que normalmente são feitas com escala nos Estados Unidos. ''A medida é recente e ainda não tivemos problemas, mas há alternativas para viajar para esses locais sem escala nos Estados Unidos'', disse Juliana Grigoli Pelarim, de uma empresa de intercâmbio.
A exigência do visto mesmo para permanecer poucas horas em território americano passou a vigorar no último sábado com o argumento de que terroristas poderiam se aproveitar da ''brecha'' para alcançar os Estados Unidos ou somente seu espaço aéreo. A exigência vale, segundo nota da embaixada americana no Brasil, por 60 dias, e nesse período a medida será avaliada com base em dados de inteligência e de comentários do público.
Conseguir um visto de entrada para os Estados Unidos também se tornou mais difícil desde o último dia 15, com a necessidade de comparecer pessoalmente ao consulado e passar por uma entrevista pré-agendada. A mudança da norma, que tem aplicação mundial, também faz parte das medidas de segurança adotadas pelo país depois dos atentados do 11 de Setembro.
Quem quiser escapar de pagar a taxa de US$ 120 ao consulado americano pode seguir via Canadá, que também exige visto, mas é gratuito. ''O Canadá é a melhor opção'', afirma o gerente da agência Sem Destino, Henrique Riedhorst.
Desde maio, o diretor para a América Latina da Travel Industry Association of America, Luiz de Moura Júnior, faz lobby no Congresso americano para melhorar o atendimento aos turistas brasileiros. ''As pessoas se utilizam dos Estados Unidos para escalas porque o vôo é mais curto, mais econômico e há mais oferta de assentos. Acaba sendo mais barato'', explica. Segundo Moura Júnior, cerca de 180 mil passageiros do mundo todo fazem escala nos EUA por ano.
(Com agências)

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