Curitiba - Uma pessoa na faixa de 50 anos chega em um restaurante, pede um cardápio e, com raríssimas exceções, tira o óculos do bolso para poder ler de perto. Em um futuro próximo, essa cena promete ser cada vez mais
rara. A tendência é que daqui a três a cinco anos a presbiopia, doença da visão mais
conhecida como ‘‘vista cansada’’, passe a ser tratada em grande escala por meio de cirurgia, descartando,
assim, o uso de óculos
corretivos.
  A opinião é do médico oftalmologista Leonardo Akaishi, do Hospital Oftalmológico de Brasília, que participou como palestrante no 31º Congresso da Associação Paranaense de Oftalmologia, realizado em Curitiba. Além de falar sobre o tratamento inovador, Akaishi acredita, também, em um teoria ainda polêmica, que vem sendo defendida por médicos dos Estados Unidos. Eles afirmam que a presbiopia é um indício de início de catarata. ‘‘No futuro, isso ainda será provado’’, afirmou.
  A presbiopia, segundo Akaishi, atinge todo mundo, normalmente a partir dos 40 anos de idade. A perda de foco só é menos notada nos míopes, que usam óculos para ver de longe. Sem óculos, eles conseguem ter uma boa visão de perto. Eventualmente, no entanto, os míopes também podem desenvolver presbiopia e ter que usar óculos de leitura, como qualquer outra pessoa. De acordo com Akaishi, a incidência da catarata é a mesma. ‘‘Se todos vivessem até 100 anos de idade, todos teriam catarata’’, afirma, ressaltando que 50% das pessoas acima de 60 anos têm catarata, embora muitas não percebam.
  Akaishi explica que ao contrário do que a maioria da população pensa, a ‘‘vista cansada’’ não é causada pelo relaxamento de músculos existentes no olho. O que ocorre é que com o tempo, o cristalino, que é a lente natural do olho humano, vai endurecendo. Menos flexíveis, ele perde a capacidade de focalização. Já na catarata, o cristalino torna-se opaco.
  O tratamento convencional para presbiopia é por meio do uso de óculos monofocal (para perto) ou multifocal (para ver perto e longe) ou ainda de lentes de contato. Para a catarata, o tratamento é cirúrgico: o cristalino é retirado e substituído por uma lente artificial, chamada de lente intra-ocular, que permitirá a reabilitação da visão.
  Segundo Akaishi, hoje a cirurgia em presbíopes normalmente so é feita quando há alguma outra disfunção. É o caso, por exemplo, de uma pessoa que tem presbiopia associada ao turvamento do cristalino. ‘‘É uma cirurgia, e sempre tem seus riscos’’, explica. Ela acredita, no entanto, que o aperfeiçoamento contante das tecnologias vão resultar em aumento das cirurgias.
  A tendência, segundo ele, é que as lentes intra-oculares também sejam cada vez mais adequadas ao paciente. ‘‘O médico tem que saber os limites e características das lentes e dos pacientes’’, diz. Ele explica que para er melhor resultado, a lente tem que ser adequada às necessidades de cada pessoa. Ou seja, se o paciente é um leitor assíduo, precisa de uma lente boa para ler de perto, se for um usuário de computador, necessita de uma boa lente para média distância.

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