Quem já passou dos 40 anos de idade, provavelmente já vivenciou ou ainda vai passar por isso - dificuldade de ler uma bula de remédio, ver as letras pequenas do livro, encontrar a linha e o buraco da agulha, ou enxergar com definição qualquer objeto próximo. E a ''culpa'' não é das letras ou dos objetos que ''diminuíram'', mas da presbiopia, um problema comum de foco de imagem. E um processo natural de envelhecimento do olho, como ensina o oftalmologista Rui Schimiti, médico assistente do setor de Glaucoma da Unicamp (Campinas/SP) e chefe do setor de Glaucoma do Hospital de Olhos de Londrina.
O problema acontece, afirma o médico, porque com um ''olho velho'' perde-se a capacidade de acomodação da visão para diversas distâncias. Ele explica que no olho sem nenhuma deficiência visual, a imagem dos objetos forma-se sobre a retina. E para enxergamos diferentes distâncias, próximo ou distante, o olho, através do cristalino, faz um ''ajuste'' na visão. Para fazer esse ajuste, o cristalino contrai e relaxa de acordo com a necessidade de foco. Mas, com o tempo e o envelhecimento do olho, o cristalino vai perdendo elasticidade. ''O cristalino vai aumentando a espessura durante toda a vida, e perdendo transparência e elasticidade'', aponta.
É aí, então, que por não haver suficiente acomodação, a imagem se forma atrás da retina, e a visão para objetos próximos fica borrada. Não é à toa que um dos primeiros sinais, de quem começa a manifestar a presbiopia, é afastar o objeto para tentar enxergá-lo. É quando o braço fica ''curto'' para quem tenta ler o jornal, por exemplo. ''A pessoa não tem prazer na leitura, quem faz bordados tem dificuldade, é difícil ver a hora no relógio. Já tive paciente que falou que não conseguia escolher o feijão'', exemplifica o médico.
A presbiopia, explica Schimiti, só não atinge alguns míopes porque pode haver uma ''compensação'' da presbiopia. Essa compensação acontece porque na miopia o foco da imagem acontece antes da retina - é um grau negativo, que é anulado pelo grau positivo da presbiopia. Mas só deixa de usar óculos quem tem miopia leve, enfatiza o oftalmologista, pois a presbiopia só atinge até os três graus, e em casos de miopia mais alta, o que vai acontecer é só a diminuição do grau. No caso de hipermetropia, que já é um grau positivo, o problema ''só vai piorar''.
O oftamologista lembra que não é difícil alguém falar ''de uma tia ou avó, que já tem 80 anos, e enxerga perfeitamente''. Ele explica que é possível que o idoso tenha uma catarata intumescente, que causa uma miopia secundária, e facilita a visão para perto. ''Quem nunca usou óculos, vai precisar'', reforça.
Schimiti alerta que todo diagnóstico deve ser feito por um oftalmologista, até porque é uma oportunidade do paciente passar por uma consulta com o profissional e diagnosticar precocemente outras doenças. ''É possível fazer a prevenção de glaucoma, doenças degenerativas da retina e alterações de fundo de olho. A pessoa nunca deve comprar óculos no supermercado ou no camelô'', enfatiza.

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