Londrina – Desde que foi entregue, há três anos, o Residencial Vista Bela, um dos maiores empreendimentos no País do programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida, na zona norte de Londrina, tem convivido com a falta de estruturas que deem conta da demanda social. Sem escolas, creches, áreas de lazer e concentrando mais de 10 mil moradores, selecionados das mais diferentes regiões da cidade, o bairro começa a sofrer com a violência.
Somente no primeiro semestre deste ano, o residencial registrou um homicídio e pelo menos outras seis pessoas foram baleadas em situações distintas. Alguns foragidos da Justiça foram localizados no bairro e suspeitos de assaltos, inclusive a bancos, que estavam escondidos em algumas das 2,7 mil casas e apartamentos, também foram presos.
A pedido da FOLHA, a 4ª Companhia Independente da Polícia Militar, responsável pela área do Vista Bela, fez um levantamento das ocorrências registradas no bairro. Os números mostram que houve 69 chamadas policiais no residencial entre janeiro e maio deste ano, entre lesões corporais, danos ao patrimônio, ameaças, agressões, furtos, roubos, porte ilegal de armas e cumprimento de mandados de prisão. De acordo com a PM, houve uma redução de 18% em relação ao mesmo período de 2013, quando foram registradas 85 ocorrências. "A situação no Vista Bela não está fora do controle, está administrável. Mas é uma região onde não se pode descuidar e é necessário sempre manter a atenção", admite o major José Luiz de Oliveira, comandante da 4ª Companhia.
A PM garante que realiza patrulhamentos constantes, abordagens, operações, prisões e congelamentos de área no Residencial Vista Bela para evitar uma escalada da criminalidade. Grande parte dos crimes está relacionada ao consumo e tráfico de drogas. Em 2013, a polícia realizou duas apreensões de entorpecentes no Vista Bela e uma este ano.
Para o major José Luiz, é necessário o trabalho de outras áreas do poder público para manter o controle da criminalidade. "Enquanto se formarem bolsões de pobreza sem espaço para lazer, cultura, educação, emprego e opções para as pessoas, só a presença da polícia não será suficiente. É preciso que outros órgãos atuem nestas regiões", frisa.
Um dos casos que mais chamou a atenção no Vista Bela em 2014 foi a morte do fazendeiro Aderbal Teixeira da Rocha, de 74 anos, no dia 13 de maio. A vítima foi atraída por uma menor de idade até um motel e em seguida, rendida por um casal. O idoso foi levada até o Vista Bela, onde foi morto. O fazendeiro sofreu ferimentos no rosto e na cabeça, além de queimaduras nas mãos e pés, que foram amarrados. O corpo dele foi colocado dentro do porta-malas de um carro, localizado posteriormente em um posto de combustíveis à margem da BR-369, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina). O crime foi considerado latrocínio já que a caminhonete Hilux de Rocha foi roubada. O casal foi detido pela Polícia Militar.

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