Foliões levam muita música, alegria e fé: dramatização da viagem que Belchior, Baltazar e Gaspar fizeram até Belém para adorar o menino Jesus
Foliões levam muita música, alegria e fé: dramatização da viagem que Belchior, Baltazar e Gaspar fizeram até Belém para adorar o menino Jesus | Foto: Gustavo Carneiro



"Posso entrar, madrinha." É com esse pedido que os foliões de Reis entram nas casas para reverenciar a chegada do menino Jesus. Uma tradição antiga, que vem perdendo espaço ano a ano, mas é mantida em Londrina pela persistência de um grupo de aficionados. Os participantes começam a suas peregrinações pelas casas no dia 25 de dezembro e terminam no dia 6 de janeiro: Dia de Reis.

Em Londrina, o grupo Mensageiros da Paz mantém a tradição da Folia de Reis há quase três décadas. Eles visitam as casas levando muita música, alegria e fé. "É a maior felicidade do mundo receber os Reis na minha casa e a Bandeira", afirmou Maria da Luz dos Passos, de 75 anos, moradora do Conjunto Luiz de Sá (zona norte). A Bandeira do grupo traz a imagem dos três reis magos e representa o menino Jesus.

Para Maria da Luz, após a visita dos foliões, é como se ela fosse invadida por uma paz muito grande. "É muito gratificante", comentou a empregada doméstica, que esperou os foliões com bolo e refrigerantes.

A Folia de Reis é uma dramatização da viagem que Belchior, Baltazar e Gaspar fizeram do Oriente até Belém para adorar o menino Jesus, presenteando-o com ouro, mirra e incenso. Antigamente, os foliões saíam pelas ruas e iam batendo de casa em casa pedindo para entrar. Hoje, as visitas são agendadas e a cada ano vem diminuindo o número de interessados. "Na cidade fica muito difícil porque as pessoas trabalham, então a visita precisa ser pré-agendada", explicou Francisco Garbosi, mestre e responsável pelo Grupo Mensageiros da Paz.



A família de Garbosi sempre foi de foliões. A paixão de Francisco nasceu pelo exemplo do pai. "Quem nasce numa família de folião, já nasce folião", disse. Mas é uma tradição que vem acabando. "Está difícil permanecer. A tecnologia traz um lado positivo e também negativo. Os jovens só querem saber de celular e de Facebook, esquecem as coisas sagradas e vão perdendo o interesse", comentou com tristeza.
Mas participar da folia é a maior gratificação para Garbosi e todos os membros do grupo. "Me sinto como um dos próprios reis", disse.

O pedreiro Lauro Veiga, de 55 anos, começou na folia aos 9 anos de idade. "Eu acompanhava a companhia. No início, tinha medo, coisa de criança, né! Mas por curiosidade fui participando cada vez mais. Deus coloca um dom em cada pessoa e Ele me deu o dom de tocar na companhia", afirmou.

Para Veiga, além de trazer felicidade, participar da Folia de Reis operou milagres na vida dele e de outras pessoas. "Você nota que quem participa ou recebe os foliões tem prosperidade, saúde e muitos milagres. Basta ter fé."

Fé é o que não falta para a dona de casa Orlete Fátima Miranda Ramos, de 55 anos, que mora no Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte). Ela se emociona quando fala sobre a visita da Folia de Reis. Há 15 anos que ela espera os foliões com o presépio montado e um belo banquete. "Estou recebendo os Reis, Deus, Jesus e Maria."

O encontro de Orlete com o grupo Mensageiro da Paz foi especial. Ela conta que estava passando por um sério problema familiar. Em um momento de desespero muito grande, ouviu o som de tambores e uma cantoria vindos da rua. Chorando muito, foi até o portão. Garbosi a viu e perguntou o que estava acontecendo e pediu permissão para a bandeira entrar. "Ele me perguntou se eu acreditava nos três Reis Santos e disse que enquanto existir um Deus, existe jeito para tudo".

Ela recebeu os foliões e, naquele mesmo dia, os problemas familiares começaram a se resolver. "Desde aquele dia eu recebo eles todos os anos e com um grande banquete, porque estou recebendo o menino Jesus na minha casa", afirmou.

Orlete diz que o Natal é uma data muito importante, pois é o nascimento de Jesus, mas o dia 6 de janeiro é quando os Reis trazem presentes para afugentar o mal. "Eles vêm trazendo as defesas contra qualquer mal." E com muita cantoria, animação e devoção, as visitas dos foliões do grupo Mensageiros da Paz se despediram e prometem voltar em dezembro para manter viva a tradição da Folia de Reis.

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