Jerusalém, 18 (AE-AP) - O ex-presidente da áfrica do Sul
Nelson Mandela, chegou hoje a Israel para uma visita de dois dias - gesto de reconciliação com uma nação que apoiou o regime do apartheid, e sinal de apoio ao novo governo moderado do país.
Mandela, vestido com uma camisa de seda de cores fortes, foi cercado por pessoas que queriam lhe dar boas vindas, abraçando-o e apertando sua mão enquanto andava pelo saguão de um hotel em Jerusalém.
Mandela apresentou um membro de sua delegação, o rabino Cyril K. Harris, ao pessoal que o recepcionava. "Este é nosso rabino, ele é de Johannesburgo e sempre esteve na linha de frente lutando contra o apartheid", disse Mandela.
Parece improvável pensar que Mandela teria visitado Israel enquanto o processo de paz estivesse paralisado. Mas desde que o primeiro-ministro Ehud Barak assumiu o governo em julho, pondo fim a três anos de paralisações, progressos foram obtidos nas negociações feitas entre Israel e a Autoridade Palestina
"Desde a eleição de Ehud Barak, as relações melhoraram", disse Harris. "A visita é um gesto de aprovação ao modo pelo qual Barak está conduzindo o processo de paz e um sinal de apoio". Antes de chegar a Israel, Mandela esteve no Irã e na Síria e funcionários israelenses perguntavam-se hoje se o ex-presidente sul-africano estava trazendo mensagens de Damasco e Teerã.
Durante sua visita, Mandela deve encontrar-se com Barak, com o presidente Ezer Weizman e com o ministro das Relações Exteriores, David Levy. Uma visita ao Memorial do Holocausto Yad Vashem está programada, assim como ao túmulo de Yitzhak Rabin, onde Mandela deve deixar uma coroa de flores.
Na terça e na quarta-feira, Mandela deverá visitar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Em sua agenda constam encontros com o líder palestino Yasser Arafat e um discurso no Conselho Legislativo palestino.
O porta-voz do ministério do Exterior, Aviv Shiron, disse que as tentativas de trazer Mandela ao país enquanto ele ocupava a presidência falharam em decorrência de problemas técnicos.
A visita de Mandela a Israel foi vista como um sinal de reconciliação entre o Estado judeu e o movimento antiapartheid liderado por Mandela de uma cela de prisão. Mandela e outros líderes antiapartheid já disseram que compartilham com os palestinos a busca por autonomia - e notaram que Israel ajudou a fornecer treinamento militar, rifles e barcos de patrulha ao regime do apartheid.
Os israelenses estavam alertas ao movimento que estava intimamente ligado a líderes já considerados arquiinimigos, incluindo Arafat e o líder líbio Muammar Kadafi.
A reconciliação de Israel com os palestinos, que teve início com o acordo de paz de Oslo, em 1993, e o término do apartheid na áfrica do Sul , amenizaram o relacionamento entre israelenses e os negros sul-africanos.

mockup