Visita de Khatami à Itália gera protestos em Roma
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Por Assimina Vlahou, especial para a AE 
Roma, 09 (AE) - Cerca de cinco mil pessoas contestaram nesta terça-feira (09) a visita do presidente iraniano Mohammad Khatami à Italia, protestando contra o desrespeito aos direitos humanos no Irã. Pelas ruas do centro de Roma, perto do Coliseu, saíram em passeata exilados iranianos vindos de vários países europeus, além de parlamentares italianos de diferentes partidos.
Alguns desses parlamentares assinaram um documento pedindo ao primeiro ministro Massimo DAlema que cancelasse a vinda de Khatami à Itália. A viagem, iniciada hoje, é a primeira visita oficial de um chefe de Estado iraniano a um país europeu desde a Revolução Islâmica, em 1979, que isolou o país do Ocidente.
O protesto foi transmitido via satélite para o Irã. Os manifestantes portavam bandeiras iranianas e fotos do símbolo da resistência Massoud Rajavi, presidente do Conselho Nacional da Resistência Iraniana. Na primeira fila, dezenas de mulheres idosas de lenço preto na cabeça mostravam fotos de parentes assassinados pelo regime dos aiatolás.
"Khatami foi ministro do regime do aiatolá Khomeini durante dez anos, por isso é co-responsável por milhares de homicídios políticos", diziam os manifestantes.
"Ele perseguiu artistas e homens de cultura, como o escritor Salman Rushdie, quando era ministro. Uma serpente não pode virar um pássaro", afirmou a popularíssima cantora Marzieh, que emocionou os manifestantes.
Aos 74 anos, exilada em Paris há cinco anos, antes de deixar o Irã ela foi obrigada a interromper sua carreira por 15 anos porque o regime proíbe as mulheres de cantar. "Eu ia para o deserto, cantar para as estrelas", disse.
A visita do presidente iraniano paralisou a cidade. Foram tomadas medidas de segurança excepcionais, incluindo o uso de helicópteros e a presença de agentes com metralhadora em punho durante o desfile em carro aberto.
No percurso de Khatami, em pleno centro, as pessoas foram proibidas de atravessar as ruas antes do cortejo passar. Até o prefeito de Roma, Francesco Rutelli, chegou a protestar contra o caos provocado pelo esquema de segurança.
Segundo o chanceler italiano, Lamberto Dini, o governo do presidente Khatami deve ser apoiado, mas "sem que se dê nenhum desconto em matéria de direitos humanos". Ele disse que houve uma forte redução do financiamento às atividades terroristas da parte do Irã desde a condenação do terrorismo como instrumento de luta política, feita em setembro por Khatami.
A imprensa italiana apresenta o líder iraniano como o "Gorbachev de Teerã", por sua abertura política aos jovens e mulheres. Os jornais ressaltam seu papel contra a ala dura e intransigente dos aiatolás e destacam a vitória dos candidatos moderados, seus partidários, nas eleições municipais de fevereiro.
A Itália mantém excelente intercâmbio comercial com o Irã. Recentemente, os dois países assinaram um acordo na área petrolífera, de cerca de US$ 500 milhões. Pouco antes de viajar para a Europa, Khatami enviou um convite às companhias petrolíferas norte-americanas para que também invistam no país.
Em seu discurso na Câmara, ele afirmou que, para entrar no terceiro milênio de cabeça erguida, "o mundo inteiro deve internacionalizar a democracia", pediu maior diálogo entre as culturas e a eliminação da divisão entre o Ocidente e o restante do mundo. O líder iraniano será recebido amanhã por DAlema e quinta feira terá uma audiência com o papa João Paulo II, no Vaticano.


