Agência Estado
Ontem, a menos de 24 horas dos festejos em comemoração aos 500 anos do Brasil, a agenda do presidente Fernando Henrique Cardoso continuava indefinida. A já cancelada visita à praia de Coroa Vermelha (em Santa Cruz Cabrália) para a visita à principal obra dos 500 anos, voltou a ser incluída ontem na agenda presidencial pelo Itamaraty ‘‘como uma possibilidade’’. O presidente deve deixar Porto Seguro ainda com a luz do dia.
Fernando Henrique, acompanhado do presidente de Portugal Jorge Sampaio, deverá chegar ao aeroporto de Porto Seguro no final da manhã. Se a segurança presidencial entender que não há riscos, Fernando Henrique seguirá, de helicóptero para a praia de Coroa Vermelha. Lá, além de encontro com líderes indígenas, o presidente inaugura uma cruz de 13 metros de altura, erguida no local onde foi rezada a primeira missa em 1500.
O Ministério de Esporte e Turismo liberou R$ 12,5 milhões para as obras de recuperação da praia de Coroa Vermelha. Fernando Henrique assinou decreto considerando as terras de Coroa Vermelha área indígena e no início do ano passado foram removidas as favelas existentes no local. As 100 casas dos posseiros foram recicladas e 46 novas casas construídas e cedidas aos índios. Outras 104 estão em fase de construção.
Cerca de 2 mil índios estão em Coroa Vermelha, reunidos para uma conferência. Eles entendem não haver razões para comemorar os 500 anos e querem entregar um documento com reivindicações, votado na conferência, ao presidente. Se não for a Coroa Vermelha, Fernando Henrique deverá receber representantes dos indígenas nos jardins do Hotel Vela Branca, no centro histórico de Porto Seguro.
Fernando Henrique oferecerá um almoço ao presidente português e logo depois, os dois percorrem as ruas da cidade histórica de Porto Seguro. Os dois percorrerão as ruelas da antiga Vila de Nossa Senhora da Pena (uma fortaleza portuguesa fundada em 1535) e serão saudados com danças e músicas variadas. A segurança vetou a presença da população no local. Apenas 500 crianças, vestidas com camisas amarelas dos 500 anos estarão no local.
Os presidentes e suas comitivas acompanharão a regata naval, que não será mais liderada pela nau Capitânia (uma réplica da nau utilizada por Pedro Álvares Cabral para chegar ao Brasil em 1500). Problemas técnicos inviabilizaram a chegada do barco – que custou quase R$ 4 milhões – a tempo em Porto Seguro. Fernando Henrique e Jorge Sampaio plantarão ainda mudas de pau-brasil, visitarão prédios históricos e assistirão celebrações na igreja de Nossa Senhora da Pena.

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