Visita à Itália é sucesso de diplomacia para Khatami
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Paul Taylor, editor diplomático 
Londres, 11 (AE-REUTERS) - Ele veio, viu e venceu.
O presidente iraniano, Mohammad Khatami, conseguiu um triunfo de política exterior em sua visita oficial de três dias à Itália, impressionando o papa João Paulo Segundo, esbanjando charme com os líderes italianos e ultrapassando as fronteiras de Roma para alcançar o resto da Europa e os Estados Unidos.
Na primeira visita de um chefe de Estado iraniano a uma capital ocidental desde a Revolução Islâmica de 1979, Khatami buscou tranquilizar o Ocidente prometendo promover a democracia, combater o terrorismo e lutar contra a disseminação de armas de destruição em massa.
Ele também deu garantias a seu público doméstico ao insistir que a República Islâmica tem de ser tratada como um igual na arena internacional, onde o país vem sendo há muito tratado pelos Estados Unidos como um "Estado pária".
"Khatami apresentou uma imagem completamente diferente do Irã. Isto levará a novos convites da Europa, e ficará mais difícil para os americanos tentarem isolar o Irã", afirmou um diplomata europeu ocidental.
Vindo na crista da onda de um triunfo de seus partidários reformistas em eleições locais, e da substituição do ministro da Inteligência do Irã depois de ele ter admitido que agentes de segurança brutais mataram intelectuais dissidentes, a viagem a Roma deve fortalecer mais ainda as forças de Khatami contra opositores linhas duras em casa.
Significativamente, o Departamento de Estado americano não criticou a visita, mas pediu à Itália para apresentar preocupações sobre um suposto apoio iraniano ao terrorismo, noticiados esforços para desenvolver armas nucleares e hostilidades ao processo de paz no Oriente Médio.
Khatami buscou esvaziar antecipadamente tais reclamações, e críticas ocidentais à situação dos direitos humanos no Irã, tratando das questões numa série de discursos e comentários cuidadosamente trabalhados.
Seus anfitriões italianos e o Vaticano afirmaram que eles levantaram a questão dos direitos humanos com ele, mas eles não o embaraçaram detalhando suas preocupações em público.
O papa João Paulo Segundo disse depois do histórico encontro deles: "Este foi um dia muito importante, muito promissor".
Khatami, que defende um "diálogo entre civilizações", afirmou que estava retornando para casa cheio de esperanças em relação ao futuro.
Mesmo a aparente coincidência da visita simultânea do escritor britânico Salman Rushdie à Itália para receber um doutorado honoris causa da Universidade de Turim não conseguiu provocar um incidente diplomático.
O falecido líder revolucionário iraniano aiatolá Ruhollah Khomeini condenou Rushdie à morte em 1989, acusando-o de ter cometido blasfêmia contra o Islã com seu romance "Versos Satânicos", mas o governo de Khatami se dissociou formalmente da sentença.
Jornais iranianos criticaram duramente a Itália por ter permitido a entrada de Rushdie, aparentemente sem saber que como um cidadão britânico ele não precisa de um visto para entrar num país da União Européia. Mas a coincidência das duas visitas não trouxe consequências negativas para Khatami junto ao Ocidente.
O presidente-filósofo tem motivos econômicos, assim como políticos e religiosos, para ficar encantado com a viagem.
Sua visita seguiu-se a um segundo grande investimento europeu no setor de energia do Irã, envolvendo a ENI italiana e a gigante petrolífera francesa Elf, que fez um novo buraco nas sanções dos EUA contra Teerã.
Sob forte pressão da União Européia, o presidente Bill Clinton concordou no ano passado em postergar a imposição de sanções extraterritoriais contra a companhia energética francesa Total, quando esta liderou um grande investimento no setor de gás natural do Irã.
Autoridades americanas criticaram o acordo Elf-ENI e disseram que vão estudá-lo, mas diplomatas afirmaram que é politicamente inconcebível que Washington imponha sanções agora, dado os progressos do Irã no campo da democracia e nas relações exteriores.
"Uma segunda brecha bem sucedida significa que as sanções estão efetivamente mortas", admitiu um oficial dos EUA.
A próxima aventura externa de Khatami pode bem ser uma viagem histórica à Arábia Saudita para aparar arestas com o mais importante produtor de petróleo vizinho do Irã no Golfo, disseram diplomatas.
Depois disto, pode bem surgir um convite para ir à França e, acreditam diplomatas, ele é capaz mesmo de ser bem recebido na Alemanha, desde que seja suspensa uma sentença de morte contra um alemão no Irã por ter tido relações sexuais com uma muçulmana


