São Paulo, 24 (AE) - O vereador Vicente Viscome (sem partido), envolvido com a máfia dos fiscais, retoma na quarta-feira os trabalhados na Câmara Municipal de São Paulo, mas o advogado Ademar Gomes entrará com outro requerimento no Departamento de Inquéritos Policiais para que o parlamentar frequente o Legislativo durante toda a semana. "O expediente na Câmara Municipal não se restringe aos dias em que há sessões legislativas, portanto entendo que o vereador tenha o direito de trabalhar todos os dias e acompanhar o desenvolvimento das comissões", afirmou Gomes.
Na semana passada, o juiz Maurício Lemos Porto Alves, do Departamento de Inquéritos Policiais, indeferiu o pedido de revogação de prisão preventiva. Alves concedeu o direito de Viscome comparecer escoltado pela PM à Câmara durante as sessões legislativas.
O advogado do vereador, que continua preso, tentou na Justiça obter parecer favorável ao segundo pedido de licença médica feito à Câmara. A Mesa Diretora do Legislativo negou a licença, mas com a presença assegurada nas sessões a cassação do mandato por falta estará praticamente afastada.
As faltas na Câmara só são anotadas nos dias de sessão legislativa - são necessárias 42 faltas para que o parlamentar perca o mandato por essa infração, segundo o Regimento Interno do Legislativo municipal. Esse foi o argumento apresentado por Gomes e o juiz entendeu que o parlamentar tem o direito e a obrigação de exercer sua função pública.
Choro - Na última entrevista coletiva, Viscome chorou e disse "não passar de um bode expiatório". "Durante todo esse tempo eu fui o único vereador preso e o pior, sem provas contra mim", disse. "Aqui na Câmara Municipal não há parceiro", prosseguiu. "Por espaço, o político vende até a mãe", completou.
A primeira reação negativa de Viscome à bancada governista e ao próprio Executivo ocorreu na quinta-feira passada. Um grupo de parlamentares que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido) na Câmara redigiu um novo pedido de licença médica para Viscome, pois assim o suplente Osvaldo Sanches (PPB) poderia assumir a vaga temporariamente e aumentaria o número do bloco governista formado para impedir o início do processo de impeachment contra Pitta e a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais - o que ocorreu mesmo sem a estratégia de trazer um novo suplente ter sido colocada em prática.

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