São Paulo, 07 (AE) - Em seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, o vereador Vicente Viscome (sem partido) negou todas as acusações contra ele. Após quase quatro horas, o depoimento terminou pouco antes das 19 horas. Viscome deixou o plenário pedindo que os presentes rezassem por ele. "Eu não mereço isso", disse. E reafirmou que pretende renunciar ao cargo.
"Minha participação na regional da Penha era política, não sei se os outros mentiram, o que eu sei é que não tive conhecimento de nada". Ele negou, repetidas vezes, saber do esquema de arrecadação de propinas, embora já existam provas de seu envolvimento. O presidente da CPI, o vereador José Eduardo Martins Cardoso (PT), afirmou, entretanto, que sua negação não é suficiente para que deixe de ser solicitada a cassação do vereador. Cardozo disse ter ficado decepcionado com o depoimento que, para ele, acrescentou poucas informações à comissão.
No início do depoimento, às 14h10, com atraso de 1h10, o acusado leu um relatório em que dizia, com voz rouca e sem firmeza, que "espera pela justiça de Deus, não odeia nem deseja vingança". Sobre o clima de terror existente na regional, citado por vários depoentes, disse que nunca exigiu nada dos funcionários, exceto trabalho e que a população fosse atendida. "Clima de terror para mim é novidade".
Viscome afirmou que a assessora Tânia de Paula nunca entregou a ele dinheiro de propina. Segundo o parlamentar, ela lhe entregou R$ 50 mil da herança que recebeu do pai para que fossem empregados na compra e venda de carros usados, na empresa de Viscome. "No momento oportuno vou apresentar documentos que comprovam isso". Sobre a agenda encontrada na casa de Tânia com anotações que o comprometem, ele afirmou: "Não sei se ela fez a agenda para me incriminar; cada um escreve o que quer".
A respeito do envolvimento do coronel Ivan Marcia Gitahy com processo de apropriação indébita de armas do Exército, Viscome garantiu que não tinha informações. Disse tê-lo convidado para trabalhar, primeiro em São Mateus e, depois, na Penha, apenas para cuidar de festas da comunidade. "Se assinou transferências de bancas de jornais, foi uma traição braba, a mim e ao administrador regional."
A comissão decidiu não promover hoje a acareação entre Viscome e outras testemunhas e deu 48 horas para que seus advogados preparassem a defesa escrita e convocassem suas testemunhas. A próxima sessão será na segunda-feira, às 14h30, mas Viscome não deve depor. (Gláucia Leal)

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