São Paulo, 16 (AE) - O vereador Vicente Viscome (sem partido) pode ter indicado funcionários fantasmas para a Anhembi Eventos e Turismo da Cidade de São Paulo. Ontem (15), a polícia ouviu o ex-chefe de apreensão da Administração Regional da Penha Vladimir Augusto Ferreira, suspeito de ter participado em esquemas de cobrança de propinas na região da Penha. "Ele deixou a entender que foi o vereador que o indicou para o Anhembi", disse o delegado Itagiba Franco, que conduz o inquérito que investiga a existência de funcionários fantasmas na empresa.
Ferreira, que trabalhou na campanha de Viscome na última eleição, disse que, após ter sido eleito, o vereador se dispôs a ajudá-lo. Por intermédio de uma pessoa identificada apenas por Marcelo, Ferreira conseguiu o emprego no Anhembi, onde ganhava cerca de R$ 2 mil como técnico de área 2. "Ele não soube explicar direito o que fazia lá", disse Franco. Assim como grande parte das pessoas que prestaram depoimento na polícia, Ferreira disse que trabalhava na área de eventos da empresa, mas não apresentou nenhum dado ou relatório que comprovasse sua função.
O ex-funcionário já havia sido indiciado em março por concussão e formação de quadrilha pelo delegado Naief Saad Neto, que conduziu o inquérito sobre a regional da Penha. Quando assumiu o controle político da Penha, Viscome chamou Ferreira para trabalhar na regional, onde chegou a chefe de apreensão. No depoimento prestado à polícia, o ex-fiscal, que era ligado a assessora Tânia de Paula, confirmou a existência de supostos esquemas de cobrança de propinas de comerciantes e ambulantes na região. Ele disse, por exemplo, como funcionava o esquema das placas de publicidade, em que comerciantes pagavam propinas para que suas placas não fossem retiradas das ruas. Apesar de ser proibido por lei, faixas com o nome de Vicente Viscome também não eram retiradas por fiscais da regional.
Hoje, o delegado Franco também ouviu o presidente da Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam), João Octaviano Machado Neto. "Ele explicou como funciona o esquema de contratação de pessoas no órgão", disse o delegado. Octaviano negou a existência de supostos funcionários fantasmas na empresa.

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