São Paulo, 18 (AE) - O vereador Vicente Viscome (expulso do PPB) prestou depoimento hoje pela manhã à Comissão Processante da Câmara de Vereadores que analisa sua cassação. Viscome, preso há 52 dias, negou qualquer envolvimento com o esquema de propinas. Admitiu, porém, que deu ordens ao ex-administrador regional da Penha, Oswaldo Morgado, para que não retirasse as faixas com seu nome.
Viscome disse também que a agenda de sua ex-namorada Tânia de Paula - a principal prova contra ele - foi "mal interpretada" pela CPI. Afirmou ainda que deveria responder em liberdade por "não ser nenhum bandido" e seus bens foram acumulados antes dos dois mandatos. Ele chorou muito durante o depoimento.
A crise de choro veio logo depois de os sete integrantes da comissão terem concluído as perguntas. Foi no momento reservado para a sua defesa, em que seus três advogados puderam interrogá-lo. Um deles, Jurandir Vieira de Melo, perguntou se achava justo ser mantido em custódia. Em prantos, Viscome levantou-se e dirigiu-se à mesa em voz alta. "Se vocês soubessem o que é passar um dia na cadeia votariam pela minha absolvição", disse.
Pouco depois a sessão, que durou quase duas horas e meia
foi encerrada. Em entrevista, Viscome queixou-se de precisar até lavar pátio na prisão e disse que, se for cassado, outros deveriam ser também. "É melhor nem falar quem."
Brandas - As perguntas formuladas pelos membros da comissão foram em geral consideradas suaves. O presidente da comissão, vereador Edivaldo Estima (PPB), não perguntou nada. "Além de ser humano, ele é um colega; isso mexe com a gente", afirmou no final da sessão, ao comentar as lágrimas de Viscome.
O líder do PPB na Câmara, vereador Paulo Frange, disse que o trabalho da comissão é diferente do da CPI, por não ter de buscar fatos novos. "É uma forma mais branda do que inquisitiva", justificou. Ele quis saber de Viscome, entre outras coisas, como recebia sua parte no esquema do lixo. Viscome negou qualquer envolvimento.
O vereador Aurélio Nomura (PSDB) pressionou bastante. Ele perguntou ao colega qual o destino dos pedidos de melhoria que recebia em suas andanças pela Penha, quando ouvia da população solicitações como limpeza de ruas e praças. Em meio a contradições, Viscome acabou respondendo que em 90% das vezes os casos eram atendidos - ante os 50% dos contribuintes que não o tinham como intermediário. Também deixou claro que era acatado verbalmente. "Ele tinha um domínio administrativo da regional"
disse Nomura.
Ao perguntar a Viscome a razão de tantas acusações, já que ele se considera uma vítima, Nomura ouviu que ele, Viscome, ajudou seu pai (Diogo Nomura) na campanha para deputado federal. "Não lembra?", provocou Viscome. "Não adianta perguntar certas coisas para colher evasivas", comentou no final da sessão vereadora Aldaiza Sposati (PT), outra que pressionou o colega.
Testemunhas - A vereadora acha que é cedo para prever se Viscome será ou não cassado, já que pelo menos 18 pessoas serão ouvidas e há 70 dias de trabalho pela frente. "É só o início do processo", justificou. Nenhum membro da comissão pode manifestar-se sobre o assunto, sob pena de os advogados de Viscome pedirem a nulidade do processo.
Depoimentos - O próximo passo da comissão será ouvir as testemunhas de acusação e de defesa. Na sexta-feira, oito pessoas vão prestar depoimento. Entre elas, Tânia de Paula, o deputado estadual Conte Lopes (PPB) e o funcionário Vladimir Augusto Ferreira - que apesar de ser contratado pela Anhembi Turismo e Eventos, trabalhava na regional da Penha. No sábado, será a vez de seis testemunhas de defesa, entre eles o deputado federal Nelo Rodolfo (PPB).
A comissão ainda vai analisar se atende a um pedido de Viscome: ele gostaria de acompanhar todos os depoimentos.

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