Em Londrina, a rede de supermercados Viscardi decidiu abrir oportunidade de trabalho para pessoas com mais de 50 anos há cerca de três anos e está satisfeita com a produtividade dos novos funcionários. Em toda a rede, que compreende 13 lojas, há 15 funcionários com idade, em média, de 60 anos.
''Normalmente, eles são contratados para as funções de pacoteiros, para as guaritas ou pátios'', informa a gerente de recursos humanos, Virgínia Maria Landi Simões. Segundo ela, o objetivo da empresa é dar oportunidade de trabalho, especialmente, para as pessoas que já se aposentaram por tempo de serviço.
''Muitos aposentados nos procuravam em busca de emprego, principalmente de vigia. Como temos um sistema de vigilância já contratado, decidimos dar oportunidade a eles em outros setores'', diz a gerente. No início, lembra ela, houve resistência por parte de alguns gerentes, imaginando que os funcionários poderiam não ter a produtividade e agilidade esperadas ou até mesmo ter alto índice de faltas devido a doenças. Mas nada disso ocorreu.
Dedicação, responsabilidade, paciência, educação são algumas das qualidades elencadas por Virgínia para defini-los. ''Temos clientes que preferem passar nos caixas onde trabalham os funcionários mais idosos'', diz ela. Eles também desempenham outra função não imaginada pela empresa anteriormente. Segundo Virgínia, como grande parte dos pacoteiros são adolescentes, os mais velhos ajudam a cuidar dos mais novos.
''Eles chamam a atenção dos adolescentes caso eles estejam distraídos no trabalho.'' Hoje, os idosos também passaram a desempenhar o papel de instrutores de pacoteiros recém-contratados, por terem mais paciência para ensinar a função.
Sebastião Barbosa Rodrigues, 60 anos, é um dos funcionários do Viscardi, contratado há quase três anos. Depois de aposentado, ele não conseguiu ficar parado sequer por um dia. Nos primeiros quatro meses, fez bicos de pedreiros para os vizinhos até surgir a oportunidade de ser contratado pelo supermercado, onde trabalha no período da tarde. Pela manhã, continua fazendo bicos como pedreiro e pintor. ''Não consigo ficar parado nem nesse pedacinho de dia'', comenta.
Ele diz, com orgulho, que nunca teve uma falta no trabalho, tanto no Viscardi quanto nos 20 anos que trabalhou para a Viação Garcia e outros seis anos de trabalho na J.D. Indústria e Comércio de Solda.
Sebastião sabe que teve sorte em encontrar emprego após aposentado. ''As oportunidades são poucas e sempre exigem estudo. Nós, nessa faixa de idade, não fomos muito à escola'', comenta, relatando que estudou até o quarto ano primário e ''com muita dificuldade''. Com saúde e disposição, não pensa em parar de trabalhar tão cedo. ''Estou muito contente. E vou continuar trabalhando até quando der.'' (Benê Bianchi)

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